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A bordo da cápsula Orion, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen ultrapassaram esta segunda-feira o recorde de distância estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970, ao atingirem mais de 400 mil quilómetros da Terra.
A missão, com duração total de dez dias e iniciada a 1 de abril a partir da Florida, constitui o primeiro voo tripulado à Lua desde a Apollo 17, em 1972. Ao longo de cerca de seis a sete horas, a tripulação sobrevoou a face oculta da Lua, uma região nunca visível a partir da Terra, observando áreas que, em alguns casos, nunca tinham sido vistas por olhos humanos.
Durante essa fase, os astronautas registaram imagens com câmaras digitais profissionais, fizeram esboços e gravaram descrições das formações lunares, incluindo crateras e planícies de lava. A NASA sublinha a importância destes registos sonoros, uma vez que o olhar humano pode identificar nuances de cor, textura e detalhes geológicos que nem sempre são captados pelas imagens.
Um dos momentos mais críticos da missão ocorreu quando a nave passou por trás da Lua, provocando uma perda total de comunicações com a Terra durante cerca de 40 minutos. Durante esse período, a tripulação permaneceu isolada no espaço profundo, à semelhança do que aconteceu com astronautas das missões Apollo. Antes da interrupção, Victor Glover deixou uma mensagem: “Continuaremos a sentir o vosso apoio. Amamos-vos, da Lua”.
O silêncio terminou com o restabelecimento das comunicações, altura em que Christina Koch manifestou alívio por voltar a ouvir a Terra. Pouco depois, os astronautas assistiram a um eclipse total do Sol, provocado pela interposição da Lua, observando a coroa solar, um fenómeno visível graças à ausência de luz direta.
A missão incluiu ainda testes técnicos à cápsula Orion, nomeadamente à sua capacidade de resistir a variações extremas de temperatura e à ausência de luz solar, elementos essenciais para futuras missões. A Artemis II é considerada um voo de teste para objetivos mais ambiciosos, como o regresso de astronautas à superfície lunar e, a longo prazo, a exploração de Marte.
Após o sobrevoo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou com a tripulação, felicitando-os pelo feito histórico. “Fizeram história e deixaram a América extremamente orgulhosa”, afirmou, destacando também o papel da missão na liderança espacial internacional. Os astronautas sublinharam a importância do trabalho coletivo e das equipas em Terra, bem como o carácter inédito das observações realizadas.
Durante a missão, a tripulação pediu ainda à NASA a atribuição de nomes a duas crateras observadas na superfície lunar: uma designada “Integrity”, em referência à cápsula Orion, e outra em homenagem à falecida mulher de Reid Wiseman.
Depois de contornar a Lua e de ter a sua trajetória influenciada pela gravidade lunar, a nave iniciou o regresso à Terra. Nos próximos dias, a equipa continuará a realizar testes e experiências, antes da fase final da missão: a reentrada na atmosfera a alta velocidade e a amaragem no oceano Pacífico, que permitirá avaliar os sistemas de proteção térmica e recuperação da cápsula.
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