Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

O pedido da associação Vizinhos em Lisboa surge na sequência da divulgação, por Joana Vasconcelos, de um vídeo nas redes sociais em que apresenta o percurso da obra "Real Embarcação", desde as primeiras fases de produção no atelier até à sua instalação nas catacumbas da Citadelle de Villefranche-sur-Mer, em França.

Na publicação, a artista refere que a obra utiliza azulejos de cerâmica pintados à mão para reinterpretar um ícone português, estabelecendo uma ligação entre o património e a expressão contemporânea. A instalação integra a exposição The Absurd and the Dreamlike, onde estará patente até 31 de outubro.

Numa carta enviada esta terça-feira, a associação afirma reconhecer o percurso artístico de Joana Vasconcelos e a projeção internacional da sua obra, mas considera "pertinente e urgente" obter esclarecimentos sobre a proveniência dos azulejos utilizados na instalação.

No documento, a associação questiona se os azulejos têm origem em fachadas ou interiores históricos e pergunta se a sua integração numa obra artística poderá contribuir para o afastamento definitivo desses elementos do seu contexto original. Questiona ainda se a eventual aquisição através de leiloeiras, antiquários ou outros circuitos comerciais poderá incentivar o mercado de azulejos furtados ou removidos ilegalmente.

A associação manifesta igualmente preocupação com a possibilidade de a instalação constituir um precedente para futuras remoções de património azulejar e solicita informação detalhada sobre a origem de todos os azulejos utilizados, incluindo documentação de proveniência, datas de aquisição e, quando aplicável, comprovativos de autorização legal para a sua remoção.

Entre as questões colocadas, a associação refere ainda imagens divulgadas durante o processo de montagem, nas quais afirma serem visíveis pessoas a pisar diretamente os azulejos, perguntando à artista se essa prática poderá comprometer a integridade física das peças. Solicita também esclarecimentos sobre o número de azulejos que terão sido descartados, partidos ou inutilizados durante o processo criativo e qual o destino dado aos respetivos fragmentos.

Na carta, a associação defende que a transparência sobre estas matérias "não diminui o valor artístico da obra", considerando antes que reforça a responsabilidade de quem trabalha com materiais de valor patrimonial coletivo.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.