Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
“As vacinas não causam a doença que previnem. É um mito”, afirma Sofia Baptista, médica de família e professora na Faculdade de Medicina do Porto. Segundo a especialista, o objetivo da vacinação é “treinar o nosso sistema imunitário para nos proteger da doença”, recorrendo a "pedaços de vírus ou bactérias", ou versões enfraquecidas desses agentes, incapazes de provocar infeção.
Apesar disso, algumas pessoas confundem efeitos secundários com doença. “Por vezes, após a vacina surgem efeitos secundários, frequentemente transitórios e ligeiros, como febre ou dor muscular, que podem ser confundidos com ter a doença; na verdade, é o nosso organismo a reagir à vacina”, explica.
"As vacinas funcionam como treinadores do nosso sistema imunitário" refere Sofia Baptista. O corpo aprende a reconhecer o agente infeccioso sem sofrer os efeitos da doença. Nas vacinas mais recentes, esse processo pode ser feito através de instruções genéticas (DNA ou RNA), que levam o organismo a produzir antigénios e a desenvolver imunidade.
Questionada pelo 24notícias sobre qual a diferença das vacinas que se tomam em bebé e em adulto, a médica sublinha que “as principais diferenças residem no agente que combatem, na dose e no calendário vacinal”, adaptado às diferentes idades. Nos bebés, cujo sistema imunitário ainda está em desenvolvimento, são necessárias várias doses para reforçar a resposta. Já em idades mais avançadas, a imunidade tende a enfraquecer, justificando vacinas de reforço, como as da gripe ou pneumonia.
O desenvolvimento de uma vacina, por sua vez, é um processo longo e rigoroso. Renato Ferreira da Silva, farmacêutico e também professor da Faculdade de Medicina do Porto, explica que, “em média, desenvolver uma nova vacina pode levar 10 a 15 anos”, envolvendo investigação laboratorial, ensaios clínicos em várias fases e avaliação por entidades reguladoras.
“Não basta mostrar que a vacina funciona. É necessário demonstrar, com evidência científica robusta, que tem qualidade, segurança e eficácia aceitáveis”, sublinha. Mesmo após a aprovação, a monitorização continua, através de sistemas de farmacovigilância que avaliam possíveis reações adversas em larga escala.
A pandemia veio mostrar que este processo pode ser acelerado, mas sem comprometer a segurança. “É possível acelerar muito o desenvolvimento de vacinas sem eliminar as etapas essenciais de avaliação. O que mudou não foi a exigência científica, mas sim a maior disponibilidade de financiamento, colaboração internacional e várias fases do processo de avaliação e produção a decorrerem paralelamente”, esclarece Renato Ferreira da Silva.
Outro ponto importante é que as vacinas não são produtos estáticos. Podem ser ajustadas ao longo do tempo para responder a novas variantes ou melhorar a sua eficácia, como acontece com a vacina da gripe, atualizada regularmente.
Apesar da evidência científica, a hesitação vacinal continua a ser um desafio. A médica e professora refere que "em 2019, a Organização Mundial de Saúde elencou a hesitação em relação às vacinas como uma das dez maiores ameaças à saúde global". “A decisão de se vacinar depende de múltiplos fatores”, diz Sofia Baptista, apontando a desinformação, a desconfiança e o acesso aos cuidados de saúde como alguns dos principais obstáculos.
Para a médica, a solução passa pela "comunicação eficaz por parte dos profissionais de saúde", que "é a chave para desmistificar crenças, abordar as preocupações das pessoas com empatia e promover a vacinação".
“As vacinas são uma das mais eficazes estratégias preventivas em saúde pública”, refere Sofia Baptista, mas o seu sucesso depende da confiança da população.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários