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As plantas de interior são frequentemente apontadas como uma solução natural para reduzir a humidade em casa, sobretudo em divisões como casas de banho. No entanto, João Alves, biólogo e especialista em ambiente, considera que essa ideia deve ser vista com cautela.

“Em termos gerais, as plantas não devem ser vistas como uma solução eficaz para reduzir a humidade dentro de casa”, afirma o especialista ao 24notícias.

“As plantas absorvem água pelas raízes e libertam parte dessa água sob a forma de vapor, através da transpiração. Por isso, em muitas situações, as plantas podem até contribuir ligeiramente para aumentar a humidade do ar, em vez de a reduzir”, explica.

Segundo João Alves, há fundamento científico para a ideia de que as plantas conseguem absorver humidade do ambiente, mas isso não significa que funcionem como desumidificadores naturais.

“Certas plantas conseguem absorver vapor de água do ar. Isso acontece sobretudo em plantas com adaptações específicas, como algumas epífitas, que possuem raízes aéreas, ou plantas adaptadas a ambientes muito secos”, refere. Ainda assim, sublinha que “o fenómeno existe, mas o seu impacto numa divisão doméstica é limitado”.

No caso específico das casas de banho, o especialista considera que a capacidade das plantas para reduzir a humidade é pouco significativa face à quantidade de vapor produzida diariamente.

“A humidade produzida por banhos quentes, vapor de água, má ventilação ou condensação nas superfícies é muito superior à capacidade que uma ou algumas plantas possam ter para captar água do ar”, afirma. Embora algumas espécies tolerem bem ambientes húmidos e possam contribuir para um ambiente mais agradável, João Alves lembra que não substituem “medidas essenciais como ventilação, extração de ar, abertura de janelas, limpeza regular e controlo da condensação”.

O especialista alerta ainda que as plantas não previnem, por si só, o aparecimento de bolor e condensação. “O bolor surge sobretudo quando há humidade persistente, fraca ventilação, condensação em superfícies frias e presença de matéria orgânica. As plantas, por si só, não resolvem estas condições”, diz.

Em alguns casos, acrescenta, uma manutenção inadequada pode até agravar problemas localizados. “Vasos com excesso de água, substrato permanentemente húmido, folhas mortas ou má drenagem podem favorecer o aparecimento de fungos ou bolores no próprio vaso.”

O especialista lembra ainda que a relação entre plantas e qualidade do ar interior é mais complexa do que muitas vezes se sugere. “Durante o dia, com luz, fazem fotossíntese e, durante a noite, quando não há fotossíntese, predominam processos respiratórios”, explica, frisando que este comportamento é natural e não representa perigo numa utilização doméstica normal.

Quanto aos cuidados a ter, João Alves aconselha a evitar escolhas feitas apenas com base em “listas generalistas da internet”, defendendo que as condições reais de cada divisão devem ser avaliadas antes de escolher uma planta.

O excesso de rega é outro erro frequente, sobretudo em divisões húmidas. “O substrato pode demorar mais tempo a secar, aumentando o risco de fungos, mau cheiro ou apodrecimento das raízes”, alerta.

O biólogo recomenda ainda evitar vasos sem drenagem, acumulação de folhas mortas e plantas encostadas a paredes com condensação. “A planta certa, no local certo, pode adaptar-se bem e contribuir para um ambiente mais agradável. Mas não resolve, sozinha, problemas estruturais de humidade”, conclui.

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