Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

O estreito, via navegável vital para o escoamento global de petróleo e gás natural, tem estado no centro do conflito desencadeado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão desde 28 de fevereiro. A urgência em normalizar o tráfego marítimo tem sido um dos temas centrais nas negociações diplomáticas em curso.

O controlo iraniano sobre o estreito, associado ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos, provocou uma perturbação sem precedentes no comércio global de energia, isolando temporariamente alguns dos maiores produtores mundiais e levando operadores a recorrerem a rotas e práticas consideradas “ocultas”.

Apesar disso, a solução temporária anunciada por Washington e Teerão — incluindo uma declaração do Presidente norte-americano, Donald Trump, indicando que o estreito deverá reabrir na próxima sexta-feira, com a assinatura formal do acordo — deixou o setor marítimo cauteloso quanto à sua aplicação prática.

Nas primeiras horas desta segunda-feira, a atividade no Estreito de Ormuz manteve-se reduzida. A exceção foi um navio-tanque de gás natural liquefeito que testou as condições de segurança na zona, enquanto a maioria das embarcações permaneceu em espera.

De acordo com dados da Kpler, citados pela Bloomberg, cerca de 600 navios continuam retidos no Golfo Pérsico, prontos para sair assim que exista luz verde operacional. Simultaneamente, centenas de navios vazios aguardam no exterior do golfo para poderem entrar e carregar mercadorias.

Embora, em teoria, o acordo permita libertar milhões de barris de petróleo para os mercados internacionais, subsistem entraves logísticos, nomeadamente a concentração de embarcações a tentar atravessar um corredor marítimo estreito e altamente congestionado. A contagem exata de navios pode ainda aumentar, uma vez que algumas embarcações mantiveram os seus transponders desligados.

A questão da segurança continua a ser central, tendo em conta que acordos anteriores terminaram com incidentes envolvendo disparos ou apreensões de navios por forças iranianas. Acresce ainda a incerteza quanto à eventual presença de minas navais, tornando cruciais as rotas autorizadas e as condições de cobertura dos seguros marítimos.

Brett Erickson, diretor-geral da Obsidian Risk Advisors, sublinhou que a segurança é a principal preocupação dos armadores. “Um único erro de cálculo, um ataque isolado ou uma decisão política inesperada pode voltar a colocar vidas em risco”, afirmou.

Antes do conflito, atravessavam diariamente o Estreito de Ormuz cerca de 135 petroleiros. Atualmente, os fluxos mantêm-se muito abaixo desses níveis. Os navios carregados deverão ser os primeiros a tentar sair, enquanto mais de 300 navios vazios aguardam no Golfo de Omã para entrar no Golfo Pérsico assim que o acesso seja restabelecido.

Os petroleiros representam a maioria das embarcações retidas, refletindo o elevado valor estratégico das cargas transportadas. Cerca de uma centena de navios de crude e dezenas de petroleiros de produtos refinados permanecem ainda no interior do golfo.

Segundo analistas, os armadores mais tolerantes ao risco deverão ser os primeiros a avançar, embora persista a incerteza quanto a eventuais mecanismos de controlo que o Irão possa impor após a reabertura formal do estreito.

__

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.