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O anúncio foi feito numa conferência de imprensa na sede da central operária, em Buenos Aires, pelo dirigente Jorge Sola, que garantiu que a paralisação “vai ser contundente” e abrangerá todos os setores, escreve o jornal "La Nacion". “Será um dia sem que haja nenhuma atividade que desempenhe a sua função”, afirmou, denunciando aquilo que classificou como “o rompimento do tecido social, produtivo e laboral” no país.

Segundo o dirigente sindical, nos últimos dois anos perderam-se cerca de 300 mil empregos formais e mais de 21 mil pequenas e médias empresas encerraram atividade. Jorge Sola considerou ainda que a reforma laboral é “inconstitucional” e criticou a falta de diálogo com o executivo, apelando “à reflexão e à responsabilidade política” dos deputados que irão votar o diploma.

A decisão de avançar com aquela que será a quarta greve geral desde o início do mandato de Javier Milei foi tomada após uma reunião do conselho diretivo da central sindical, que optou por concentrar o protesto nos locais de trabalho, em vez de promover novas manifestações de rua. O dirigente sindical Octavio Argüello explicou que a estratégia passa por atuar “no Poder Legislativo, na Justiça e na rua” e advertiu que, se as reivindicações não forem ouvidas, “o protesto social poderá intensificar-se”.

Os sindicatos associam a contestação à degradação recente dos indicadores económicos e industriais. Dados do Sistema Integrado Previsional Argentino, dependente da secretária de Trabalho, indicam que entre novembro de 2023 e novembro de 2025 se perderam cerca de 193 mil empregos no setor privado e quase 80.000 no setor público.

Já o INDEC (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina) revelou que a utilização da capacidade industrial caiu para 53,8% em dezembro, abaixo dos 56,7% registados no mesmo mês do ano anterior, refletindo a desaceleração da atividade produtiva.

Neste contexto, foi também anunciado o encerramento definitivo da fabricante de pneus Fate, que operava com apenas 30% de capacidade e irá despedir 920 trabalhadores. Para dirigentes sindicais, o caso simboliza o impacto do atual programa económico. “O problema que o Governo hoje tem não está nas ruas, mas nas fábricas”, afirmou um dos responsáveis citados pela imprensa local.

A paralisação deverá afetar transportes e vários setores produtivos, depois de os sindicatos terem conseguido o apoio dos motoristas de autocarros, aumentando a pressão sobre o governo e o debate parlamentar da reforma.

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