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A iniciativa é promovida pela Greek Cat Welfare Society [Sociedade Grega para o Bem-Estar dos Gatos], uma associação sediada no Reino Unido que desenvolve programas de esterilização de gatos de rua na Grécia, tudo em regime de voluntariado.
Nuno Gomes conheceu a organização através de Natalie, colega de profissão de nacionalidade belga, com quem partilha a direção de uma clínica veterinária em Kent, no Reino Unido. "Uma enfermeira que trabalha connosco e já esteve sete vezes na Grécia a fazer este trabalho falou-lhe no programa e perguntou-lhe se estava interessada. E ela desafiou-me a mim". A eles juntou-se Tina, outra enfermeira.
Desta vez foram para Atenas, "uma espécie de Amadora lá do sítio, onde existem perto de 40 mil gatos". O problema, explica o veterinário português, "é que na Grécia os gatos são respeitados por todos, mas não pertencem a ninguém. Não são animais domésticos, como em Portugal; ninguém os tem em casa, mas todos lhes dão de comer e beber. As coisas atingiram uma proporção tal que se tornou um problema de saúde pública".
O clima ameno durante quase todo o ano, uma cultura de tolerância e alimentação comunitária, recursos municipais limitados para a esterilização e a falta de um programa de castração em massa de âmbito nacional são fatores que contribuem para a elevada densidade populacional de gatos um pouco por toda a parte.
Na turística Santorini, as colónias de gatos são visíveis nas aldeias brancas e zonas costeiras; em Mykonos, a concentração em áreas urbanas e portos é elevada; em Rodes, o centro histórico e as zonas residenciais estão pejados de gatinhos; e, em Creta, cidades como Chania e Heraklion têm um sem-número de núcleos de felinos. Em ilhas como Naxos, Syros ou Lesbos, as comunidades locais e as associações de proteção animal são bastante ativas nos programas de captura, esterilização e devolução.
A Greek Cat Welfare Society nasceu em 1992, muito antes do Brexit, com o objetivo de promover o cuidado e o bem-estar dos gatos na Grécia. A estratégia é, sobretudo, apoiar a castração de colónias de gatos errantes para reduzir a reprodução, através de iniciativas organizadas várias vezes por ano.
Acontece que, quando o Reino Unido saiu da União Europeia, em 2020, passou a ser um país terceiro e o reconhecimento dos veterinários britânicos pelos Estados-membros deixou de ser automático. A solução tem sido procurar, em Inglaterra, veterinários estrangeiros oriundos de países da UE.
Nuno Gomes descreve a jornada como cansativa, mas "muito bem organizada". Em sete dias, uma equipa de dois veterinários e duas enfermeiras esterilizou 438 gatos. "Não é para qualquer veterinário; é preciso ter as mãos bem treinadas para trabalhar àquela velocidade: anestesiar, castrar, cortar uma ponta da orelha [para se saber que o animal está castrado], dar vacina da raiva e desparasitante e colocar microchip". E repetir tudo outra e outra vez.
A apoiá-los, uma centena de voluntários locais, que apanham os gatos, colocam-nos em caixas, transportam-nos para o local de castração e, depois de terminados todos os procedimentos médicos, devolvem os animais ao ponto inicial.
A equipa de voluntários do Reino Unido tem as despesas todas pagas pela associação sem fins lucrativos: viagem, estadia e alimentação. Desta vez, ficaram a dormir num centro de dia. A esterilização é patrocinada pelas câmaras municipais, que disponibilizam os espaços para a castração. Sete dias de trabalho, dois de descanso. "Já me perguntaram se quero voltar em outubro".
O cansaço não é a única dificuldade com que estas equipas se deparam. Apesar de nunca se terem registado atritos, nem todos os veterinários gregos ficam contentes com estas iniciativas, que lhes roubam clientes. Na Grécia, a esterilização de gatos custa entre 30€ e 100€, dependendo de ser macho ou fêmea — no Reino Unido pode ultrapassar os 300€ —, mas, ainda assim, são poucos os que estão dispostos a pagar este valor por um animal que não é seu.
A Greek Cat Welfare Society não se limita a organizar e pagar equipas de veterinários auxiliados por enfermeiros; também dá apoio financeiro e material a grupos de voluntários locais que organizam programas de castração. Atualmente, apoia mais de 30 grupos residentes com subsídios, equipamento, material e veterinários/enfermeiros em zonas como Atenas, Creta, Rodes, Samos, Skyros e Salónica.
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