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De acordo com os serviços de emergência, o sociólogo estava inconsciente numa casa no bairro de Battersea, no sul de Londres. A Polícia Metropolitana indicou que a morte está a ser tratada como “inesperada” e que não há qualquer suspeita de crime.
A BBC indica que a família de Jason Arday se mostrou “em choque com a perda de um pai, um companheiro, irmão, tio e filho incrível”. Num comunicado, relata que “a campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e que queria sempre ver o melhor em todos”.
A Universidade de Cambridge também já reagiu e enviou condolências à família e amigos do antigo professor. “Estamos profundamente tristes com esta notícia trágica”, disse Deborah Prentice, vice-reitora da instituição, através de uma publicação no X.
A secretária de Estado da Educação britânica, Lucy Powell, mostrou-se chocada e triste com a morte de Jason Arday. Num post no X, pediu que seja dada privacidade aos amigos e familiares do professor.
O sociólogo britânico começou a lecionar em Cambridge em 2023, quando tinha 37 anos. Foi o professor negro mais jovem a ser admitido na Universidade.
Jason Arday foi acusado de plágio por Nathan Cofnas, também académico e que se autodomina de “realista racial”, que denunciou inúmeros casos de plágio no trabalho do professor.
O britânico negou todas as acusações, mas reconheceu “erros” nos primeiros trabalhos académicos e justificou com uma perturbação do espectro do autismo que o levava a depender da imitação para compreender informações. De acordo com a BBC, Jason Arday garantiu que “uma análise encontraria erros similares em trabalhos de outros académicos”.
A polémica levou o professor a demitir-se na semana passada, altura em que afirmou que as acusações lhe provocaram custos pessoais. “Embora a crítica seja uma parte inevitável da vida académica, o que vivenciei foi muito além da discordância académica. As acusações incessantes, as especulações e os comentários públicos tiveram um impacto profundo em mim e naqueles que amo”, disse o britânico quando renunciou ao cargo de professor na Universidade de Cambridge, citado pela BBC.
Jason Arday nasceu nos subúrbios de Londres, em 1985. Era filho de pais africanos e cresceu numa família pobre. Recebeu o diagnóstico de autismo e atraso global no desenvolvimento aos três anos, tendo começado a falar apenas aos 11 devido, sobretudo, a problemas de audição num dos ouvidos.
Tinha 18 anos quando aprendeu a ler e a escrever. Licenciou-se em Educação Física na Universidade de Surrey, fez dois mestrados e um doutoramento em Educação na Universidade de Liverpool John Moores.
Numa entrevista publicada pela Revista História Hoje, o sociólogo britânico falou sobre as relações raciais a luta antirracista. Questionado sobre se o seu trabalho poderia abrir portas a estudantes e professores negros na Universidade de Cambridge, Jason Arday garantiu que a mudança era possível, mas apontou uma necessidade. “É preciso haver pessoas dispostas a aceitar o diferente não como um défice, mas como uma coisa boa. É bom ter diferentes corpos, modos de pensar, modos de ser, de vivenciar, de informar espaços de aprendizagem na busca de preparar as pessoas para ocuparem o seu lugar na sociedade”.
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