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"Nós tivemos um conjunto de tempestades, o tal comboio das tempestades, e houve uma reação imediata do país, até emocional. (...) Em muitos casos, alguns até comovente. De repente foram todos os ministros para lá, o primeiro-ministro, o Presidente da República, o Presidente da República eleito, foi tudo para lá" e depois "foi criada à pressão uma estrutura de missão" para dar "resposta naqueles primeiros momentos", disse Pedro Duarte.

Meses volvidos sobre a tempestade e percebido que a estrutura de missão "não têm responsabilidade política (...) o que vai acontecer à estrutura de missão?", perguntou Pedro Duarte, para quem ficou evidente, com a sua constituição, a necessidade de criar uma estrutura interna entre o Governo e as autarquias, disse na Conferência "55 Anos a pensar o Norte", organizada pela SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, no âmbito do ciclo de conferências para debater a descentralização e regionalização.

Sem fazer uma defesa aberta da regionalização, o autarca do Porto admitiu, contudo, haver passos no sentido de avançar para essa solução, concordando com anteriores intervenções na conferência de que o centralismo é mau para o país.

"O centralismo é mau do ponto de vista da eficiência do país, não é racional, não é a melhor forma de nós gerirmos recursos públicos quando ele é, evidentemente, exacerbado, é deste centralismo que estamos a falar, quando ele ultrapassa aquilo que é o razoável", afirmou o autarca social-democrata.

Defendendo o uso da racionalidade na análise do problema, Pedro Duarte revelou que na sexta-feira, na Casa da Música, vai reunir-se com o conselho de administração da TAP, convite que rotulou de "um sinal de proximidade e de relação concreta", depois do "afastamento verificado há uns anos" promovido pela companhia aérea nacional.

"Isto tudo é uma bola de neve. Porque hoje em dia temos um país [onde], nos últimos anos, o investimento foi concentrado na região de Lisboa e as outras regiões foram prejudicadas. Para inverter esta tendência, o que é que nós precisaríamos? Investir mais nas outras regiões e menos em Lisboa para começar a equilibrar", defendeu.

E prosseguiu: "nós não precisamos só de ter o mesmo investimento hoje [feito] em Lisboa. Se queremos contrariar as desigualdades territoriais e sociais do nosso país, nós precisamos investir mais fora de Lisboa do que em Lisboa".

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