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O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que não terá reservas em discordar do presidente norte-americano, Donald Trump, sempre que considerar que essa é a posição mais adequada para defender os interesses britânicos.

Na primeira grande entrevista televisiva desde que assumiu o cargo, Burnham disse à BBC que não pode garantir um alinhamento permanente com Washington.

"Não posso, em momento algum, dizer que nunca terei uma opinião diferente da dele [Trump], ou que não precisarei de defender uma ideia diferente, que seja a correta para o Reino Unido", afirmou, no programa BBC One´s Sunday with Laura Kuenssberg.

Questionado sobre a possibilidade de expressar essas divergências de forma pública, o chefe do governo britânico respondeu que essa é uma responsabilidade inerente ao cargo.

"Temos de defender, acima de tudo, o nosso interesse nacional. É isso que se exige de quem desempenha esta função corretamente", declarou.

As declarações surgem poucos dias depois de Burnham ter mantido uma conversa telefónica com Donald Trump, pouco tempo após entrar em Downing Street. Segundo responsáveis do governo britânico, o contacto decorreu num ambiente "caloroso".

Contudo, a retoma dos ataques norte-americanos ao Irão poderá colocar à prova a relação entre os dois líderes. Burnham mantém a posição seguida pelo anterior primeiro-ministro, Keir Starmer, de não apoiar operações ofensivas dos Estados Unidos, uma estratégia que, no passado, motivou críticas públicas por parte de Trump.

Também este domingo, o novo secretário da Defesa britânico, Wes Streeting, desvalorizou a ideia de que a administração norte-americana procure aliados totalmente alinhados com Washington.

Segundo o governante, os Estados Unidos não procuram parceiros que "bajulem" o presidente, mas sim aliados com confiança suficiente para expor divergências quando estas existirem.

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