"Não vou dourar a pílula, quero ser direto convosco. Quero que sejam diretos sobre aquilo que pensam. Hoje este orgão é colocado perante um dilema, o país está de olho nós, sobre o que vamos fazer nas eleições presidenciais", explicou Ventura.

"Este partido está destinado a governar Portugal", atirou. "A maioria da imprensa está contra nós, o sistema está contra nós, alguns por ignorância, outros por medo. Parte do poder económico está contra nós", disse.

"Somos um dos maiores partidos políticos em Portugal", Ventura explicou que o Chega já passou os "70 mil militantes em Portugal. Nós não temos medo de tomar decisões, é essa a diferença para o PS e PSD. Nunca deixei de ser quem sou, eu quero limpar este país da podridão que há 50 anos nos destrói", exclamou Ventura.

"Nestas eleições legislativas sabíamos que havia riscos, foi o que fiz e foi a forma como procurei liderar o Chega nessa eleição. Ainda não ganhámos, mas estamos a fazer este caminho. Chegámos a este dia com um resultado que poucos acreditavam, somos representativos das pessoas", disse.

"É assim que chegámos às presidenciais de 2026. O meu lugar depende de vocês e do Congresso. Devo dar uma justificação porque estas eleições são um desafio para nós e para a democracia. Nunca associei estas eleições como presidente do Chega. Assumi o desafio e a responsabilidade de levar o partido às eleições legislativas. Hoje, quero deixar claro, independentemente de avançar ou não para as presidenciais, ou do resultado, vou-me recandidatar às eleições do Chega, porque o meu trabalho não está terminado", afirmou.

"É um mau sinal para o país que o líder da oposição seja candidato a Presidente da República, porque entendo que o país me deu uma missão: liderar uma transformação e liderar Portugal a ser uma país decente", explicou.

"O país não se pode dar ao luxo de ignorar as eleições para Chefe de Estado. Sobretudo quando os três candidatos atacam os nossos valores. Durante um tempo falei do Almirante Gouveia e Melo e disse que ele representaria para o país uma diferença que Marques Mendes e António José Seguro não representam", disse.

"Eu não posso admitir que alguém queira o nosso apoio, mas esteja a insultar o nosso espaço político. Não posso permitir isso, o Chega não pode apoiar um candidato que mete Isaltino Morais e Rui Rio ao lado da sua candidatura. O Chega não pode apoiar uma candidatura que diz que o país precisa de mais imigração", afirmou.

"Digo-vos, francamente, se este partido decidisse apoiar Marques Mendes ou António José Seguro seria legítimo, mas seria o meu último dia como presidente deste partido. Não devemos dar aos portugueses candidaturas vazias, sem impacto. O partido tem de pensar num candidato que leve as eleições a uma segunda volta. Temos de estar na segunda volta nas presidenciais de 2026. Temos de estar, temos de estar", insistiu o líder do Chega.

"Não quero outro Marcelo Rebelo de Sousa. Foi um desastre para a democracia. Marques Mendes é um desastre, que quer anular o Chega. Estas eleições serão difíceis porque não há um candidato perfeito", insiste André Ventura.

"Um partido com esta responsabilidade não pode fugir. Este partido existe desde 2019, nunca tivemos uma eleição em que não déssemos a cara. Não o podemos fazer agora".

"É uma decisão tramada, com riscos. É nos momentos de maior risco político, para mim, para o partido, ou outros, é agora que temos de mostrar que estamos disponíveis. Não desejo estas eleições, não acho que seja correto ser candidato nestas eleições. Sinto que não devemos nem podemos ficar de fora. Nunca vou virar a cara a um desafio que o partido entenda que é fundamental. Acima do nome pessoal, está a marca e a bandeira que devemos honrar. Não desejei estas eleições, não as desejo, não entendo, nem acho que o líder da oposição deva ser candidato presidencial, mas não podemos deixar de ter uma candidatura vencedora", voltou a dizer Ventura.

"Em resumo, se quiserem e entenderem que devo ir, aqui estarei. Se quiserem e entenderem que não devo ir, aqui estarei. Se entenderam que outro ou outra deve ir, aqui estarei", disse Ventura no final do seu discurso.