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Os encontros entre o novo Presidente da República, António José Seguro, e os líderes partidários continuam no Palácio de Belém, com críticas ao Governo, apelos ao diálogo e alertas para riscos sociais e institucionais a dominarem as audiências.
O líder do Chega, André Ventura, destacou que a reunião se focou sobretudo no futuro e na necessidade de consensos, sublinhando a atual configuração parlamentar. “Um dos principais assuntos prendeu-se precisamente com a necessidade que o País tem de consensos em determinadas áreas”, afirmou, defendendo que a fragmentação política exige maior capacidade de entendimento.
André Ventura apontou que, apesar de alguns acordos terem sido alcançados, como na imigração ou fiscalidade, “muitas vezes os consensos não existiram por total incapacidade do Governo em dialogar”. Criticou ainda o Executivo por não criar “pontes sérias” e acusou-o de estar num “exercício permanente de vitimização”.
O líder do Chega classificou também como “vergonhoso” o impasse na nomeação de órgãos externos da Assembleia da República, referindo que as instituições continuam bloqueadas por falta de entendimento. Sobre o Tribunal Constitucional, questionou a atual composição e a influência partidária, defendendo uma maior correspondência com a realidade política.
Também recebido em Belém, o secretário-geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, desvalorizou as críticas de Ventura e defendeu que o impasse deve ser resolvido com votação parlamentar. Revelou ainda abertura para participar num eventual acordo para a saúde, desde que reforce o Serviço Nacional de Saúde.
Já o líder do CDS, Nuno Melo, sublinhou a importância da estabilidade institucional e apelou ao diálogo entre partidos para garantir o funcionamento dos órgãos do Estado.
Por sua vez, o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, levou a Belém preocupações com o aumento do custo de vida, defendendo que o Governo deve ter “muito mais ambição” nas respostas. Alertou ainda que uma reforma laboral que reduza direitos pode pôr em causa a “paz social” e agravar o risco de uma “crise social muito profunda”.
José Manuel Pureza criticou também o papel da direita e da extrema-direita no atual impasse institucional, acusando-as de contribuírem para uma crise que “faz mal à democracia”, e apontou incoerência ao Chega pela sua posição sobre nomeações para o Tribunal Constitucional.
A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, considerou a reunião com o Presidente “muito positiva”, destacando o “excelente arranque” do mandato. A deputada alertou, contudo, que o bloqueio institucional vai além do Tribunal Constitucional, referindo a falta de nomeações no Conselho de Ação Climática.
Sousa Real criticou ainda os argumentos usados pelos maiores partidos para justificar o impasse, nomeadamente questões relacionadas com igualdade de género, defendendo que existem especialistas qualificados de ambos os géneros para preencher os cargos.
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