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O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou que não se compromete a divulgar publicamente as faturas relacionadas com os pagamentos efetuados ao empreiteiro João Carvalho, garantindo, contudo, que não retirou qualquer vantagem da relação com o empresário, cuja empresa realizou também obras para a Polícia Judiciária (PJ) durante o período em que liderava aquela instituição.
Em entrevista à TVI e à CNN Portugal, respondeu às questões relacionadas com a empresa Construbarcelos, que executou obras para a PJ entre 2019 e 2025, num valor global de cerca de dois milhões de euros, em intervenções realizadas na Guarda e em Évora.
Segundo Luís Neves, mais de 70% desses contratos foram celebrados numa fase em que ainda não conhecia João Carvalho. O ministro sublinhou igualmente que, enquanto diretor nacional da PJ, assinou centenas de contratos e recordou que existiram muitos concursos públicos em que a empresa não participou ou não foi escolhida.
Relativamente às faturas emitidas pela empresa do empreiteiro, num montante total de cinco mil euros, Luís Neves explicou que toda a documentação referente aos materiais adquiridos consta do sistema E-Fatura e foi comunicada à Autoridade Tributária.
O MAI afirmou que essas faturas foram devidamente declaradas às Finanças, identificando tanto o fornecedor como o destinatário da aquisição. Questionado sobre a possibilidade de divulgar publicamente esses comprovativos, respondeu que não considera essa divulgação absolutamente necessária.
Luís Neves justificou ainda que, desde que foi confrontado com o caso, não teve oportunidade de reunir a documentação, acrescentando que a faturação se encontra arquivada pela sua contabilista.
Durante a entrevista, o ministro esclareceu também o destino dos cinco mil euros pagos ao empreiteiro. Segundo explicou, esse valor correspondeu a quantias entregues ao longo dos fins de semana para fazer face a pequenas despesas e constituir um fundo de maneio relacionado com a obra.
As intervenções em causa dizem respeito, de acordo com Luís Neves, à construção de três paredes, de uma casa de banho com sete metros quadrados, de um alpendre e de um tanque, numa propriedade situada em São Teotónio, no concelho de Odemira.
O ministro estima que o custo final da obra ficará entre os 20 e os 30 mil euros, esclarecendo que o valor definitivo apenas será liquidado quando lhe for apresentada a fatura final.
Luís Neves confirmou igualmente que desenvolveu uma relação de amizade com João Carvalho. Explicou que conheceu o empreiteiro durante uma grande obra realizada para a Polícia Judiciária, na Guarda, e que inicialmente apenas lhe pediu aconselhamento técnico para a intervenção na sua casa.
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