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Hussam al-Masri, de 49 anos, era um cameraman experiente que se tornou uma figura central entre a comunidade jornalística de Gaza. A sua postura positiva, mesmo nas situações mais perigosas, fez dele uma referência para colegas e amigos. "Amanhã será melhor", repetia, mesmo perante meses de fome, deslocações forçadas e destruição. Essa foi também a última frase que dirigiu a Mohamed Salem, jornalista sénior da Reuters, que o conhecia desde 2003.

Al-Masri foi atingido enquanto transmitia imagens em direto a partir do hospital. O seu corpo foi encontrado junto da câmara, numa escadaria exterior do edifício. Poucos minutos depois, uma segunda explosão matou pelo menos 19 pessoas, incluindo socorristas e quatro jornalistas de vários meios, entre os quais Moaz Abu Taha, que fornecia imagens para a Reuters e outras agências. O fotógrafo da Reuters, Hatem Khaled, ficou ferido nesse segundo ataque.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, classificou o episódio como um "trágico erro" e afirmou que Israel lamenta profundamente a morte dos jornalistas. As Forças Armadas israelitas garantiram que os profissionais da Reuters e da Associated Press não foram alvo do ataque.

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Apesar disso, a morte de Hussam soma-se a uma longa lista de jornalistas palestinianos mortos durante a guerra. Segundo o Comité para a Proteção dos Jornalistas, pelo menos 189 profissionais da comunicação social perderam a vida em Gaza desde o início do conflito, desencadeado após os ataques do Hamas em outubro de 2023. A organização pediu que a comunidade internacional responsabilize Israel, sublinhando que “os autores não podem continuar a agir com impunidade”.

Quem era Hussam al-Masri?

Hussam era casado com Samaher, de 39 anos, doente oncológica, para quem tentava garantir saída de Gaza e acesso a tratamento médico. Deixou quatro filhos: Shahd, 23 anos, Mohammed, 22, Shatha, 18, e Ahmad, 15. A família vivia numa tenda desde que a sua casa foi destruída após a ordem de evacuação israelita em Khan Younis.

Formado em jornalismo, Hussam começou a carreira em 1998 como freelancer para a Corporação de Radiodifusão da Palestina. Em maio de 2024, já em plena guerra, passou a colaborar com a Reuters, primeiro em Rafah, na fronteira com o Egito, a acompanhar a entrada de ajuda humanitária e a vida nos campos de deslocados. Posteriormente, assumiu a responsabilidade de manter a transmissão diária a partir do Hospital Nasser.

Labib Nasir, editor visual da Reuters para o Médio Oriente e Norte de África, destacou o profissionalismo e a dedicação do colega: "Hussam assumiu essa tarefa desgastante, dia após dia, sempre com rigor, transmitindo a realidade de Gaza".

Além das transmissões em direto, Hussam documentava histórias locais, recorrendo aos contactos no hospital para relatar a crise humanitária, incluindo a fome que já assola várias zonas do território palestiniano. A sua última reportagem, gravada no sábado anterior à sua morte, mostrava famílias a chorar os corpos de parentes mortos em ataques israelitas, entre eles crianças.

A editora-chefe da Reuters, Alessandra Galloni, sublinhou a importância do seu trabalho: "Hussam estava profundamente comprometido em mostrar a história de Gaza ao mundo. Era forte, sereno e corajoso, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. A sua perda é sentida por todos nesta redação".

Nascido e criado em Khan Younis, Hussam nunca deixou de filmar, mesmo durante períodos de descanso. "A câmara regista, quer seja a favor ou contra nós", dizia o irmão, Ezzeldin al-Masri, recordando a convicção com que exercia a profissão.