Numa declaração conjunta, os líderes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Dinamarca afirmaram que “a Gronelândia pertence ao seu povo” e que apenas Copenhaga e as autoridades locais podem decidir sobre o seu futuro.
As reações surgem depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que os Estados Unidos “necessitam” da Gronelândia por razões de segurança, recusando afastar a possibilidade de recorrer à força. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um eventual ataque dos EUA colocaria em causa a própria existência da NATO, aliança baseada no princípio da defesa coletiva entre os seus membros.
A polémica intensificou-se na sequência da recente intervenção militar norte-americana na Venezuela, onde forças de elite capturaram o Presidente Nicolás Maduro. Após a operação, Trump declarou que os Estados Unidos iriam administrar o país por um período indeterminado, reacendendo receios de uma política externa mais agressiva e unilateral por parte de Washington.
Figuras próximas da Casa Branca reforçaram essa perceção ao defenderem publicamente que a Gronelândia deveria passar a integrar os Estados Unidos, sublinhando a sua importância estratégica no Ártico e no quadro da segurança da NATO. Declarações nesse sentido e mensagens publicadas nas redes sociais por aliados do Presidente contribuíram para aumentar a tensão diplomática com a Europa.
Na resposta europeia, os sete países sublinharam que partilham a preocupação com a segurança no Árctico, mas defenderam que esta deve ser assegurada de forma coletiva pelos aliados da NATO, respeitando a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. A Gronelândia, com cerca de 57 mil habitantes, goza de ampla autonomia desde 1979 e, apesar de existir apoio à independência, a maioria da população rejeita a integração nos Estados Unidos.
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