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Com 99,98% dos votos apurados, Abelardo de la Espriella obteve 44% dos votos, enquanto Cepeda alcançou 41%, segundo as autoridades eleitorais.

O resultado superou as expectativas para de la Espriella, advogado, cantor e empresário de moda de 47 anos, que se apresenta como um outsider e tem defendido uma rutura com a política tradicional. Ao longo da campanha, liderou as sondagens e conquistou apoio com promessas de endurecimento do combate aos grupos armados.

Já Iván Cepeda, senador progressista e aliado de Gustavo Petro, propôs dar continuidade ao plano de “paz total”, baseado na negociação de acordos com grupos guerrilheiros e organizações criminosas.

Após a divulgação dos resultados, Cepeda e Petro levantaram dúvidas sobre a votação, alegando, sem apresentar provas, que centenas de milhares de votos terão sido manipulados e que existiu interferência estrangeira no processo eleitoral. O candidato progressista afirmou que aguardará a conclusão do escrutínio pelas autoridades eleitorais antes de reconhecer formalmente os resultados, embora tenha admitido que a eleição seguirá para uma segunda volta.

A segunda volta está marcada para 21 de junho. Cepeda prometeu derrotar o que classificou como “extrema-direita fascista”, associando o adversário a mafiosos e plutocratas.

As eleições decorreram num contexto de forte polarização política e colocaram em confronto duas visões distintas para o futuro do país. Enquanto Cepeda defende a continuidade da agenda progressista de Petro e dos esforços de negociação com grupos armados, de la Espriella propõe uma estratégia de repressão mais dura contra o crime organizado, incluindo a construção de dez megaprisões.

A votação acontece dez anos após a assinatura do acordo de paz entre o Estado colombiano e as FARC. Apesar das expectativas geradas pelo acordo, a violência voltou a intensificar-se nos últimos anos, num cenário marcado pelo fortalecimento de grupos armados e pelo agravamento da insegurança.

A campanha eleitoral decorreu num ambiente de elevada tensão, com ataques atribuídos a grupos criminosos e episódios de violência política. Entre os casos mais marcantes esteve a morte de Miguel Uribe Turbay, político de 39 anos e aspirante presidencial, que foi baleado durante um comício.

Apesar das críticas ao processo de paz, Cepeda e Petro mantiveram apoio significativo entre parte do eleitorado, impulsionado por medidas progressistas adotadas durante o mandato presidencial. Ainda assim, o resultado da primeira volta poderá dificultar a tarefa de Cepeda na segunda ronda, uma vez que se espera que de la Espriella beneficie do apoio dos eleitores que votaram noutros candidatos conservadores.