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A iniciativa incide sobretudo sobre o Bundesnachrichtendienst (BND), o serviço de informações externas alemão, que virá a ter autorização para realizar operações de sabotagem, ações cibernéticas ofensivas e atividades de espionagem mais robustas, segundo responsáveis políticos em Berlim, citados pelo jornal "Politico".
O debate surge num momento em que vários líderes europeus admitem a necessidade de fortalecer a autonomia estratégica do continente, tanto no plano militar como no da inteligência. O chanceler Friedrich Merz defende um reforço significativo das capacidades dos serviço secreto (BND), argumentando que a Alemanha precisa de estar preparada para agir de forma independente caso a cooperação transatlântica se altere.
Responsáveis alemães receiam que uma eventual mudança de orientação em Washington, nomeadamente sob liderança de Donald Trump, possa levar à suspensão ou instrumentalização da partilha de informações sensíveis, da qual a Europa tem dependido fortemente.
No parlamento federal, o Bundestag acompanha o processo através de uma comissão de supervisão dos serviços secretos. O presidente dessa comissão defendeu que Berlim quer manter a cooperação com os Estados Unidos, mas alertou que “a Alemanha tem de ser capaz de se sustentar pelos seus próprios meios” se essa colaboração enfraquecer.
O legado Nazi
O BND foi criado em 1956 com fortes limitações legais destinadas a evitar abusos semelhantes aos cometidos pela Gestapo e pelas SS durante o regime nazi. Essas restrições, reforçadas também pela memória da polícia política da antiga Alemanha de Leste, impedem o serviço de intervir diretamente para neutralizar ameaças, limitando-o sobretudo à recolha e análise de informação.
Na prática, isto significa que agentes alemães podem detetar, por exemplo, planos de ciberataques, mas não têm mandato legal para os travar autonomamente, dependendo frequentemente de parceiros estrangeiros.
Segundo responsáveis governamentais, estas limitações tornaram a Alemanha dependente das capacidades norte-americanas. Informações fornecidas pelos EUA terão sido decisivas para travar ameaças concretas, incluindo planos contra alvos em território alemão e contra o grupo de defesa Rheinmetall.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, reconheceu recentemente que, sem a partilha de inteligência norte-americana, o país ficaria “indefeso”.
A reforma é comparada por responsáveis alemães à chamada Zeitenwende (“viragem histórica”) anunciada pelo então chanceler Olaf Scholz após a invasão russa da Ucrânia, quando Berlim decidiu aumentar de forma o investimento militar.
Agora, argumenta o executivo, essa mudança deve estender-se ao domínio da inteligência, face ao aumento de ameaças como sabotagem, espionagem e ciberataques atribuídos a atores estatais russos.
Apesar do reforço previsto, o plano mantém mecanismos de controlo rigorosos. O alargamento de poderes do BND dependerá da declaração de uma “situação especial de inteligência” pelo governo e da aprovação qualificada dos deputados responsáveis pela supervisão parlamentar.
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