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Segundo o The Guardian, a tensão em torno de vários projetos turísticos de luxo na Albânia voltou a subir este sábado, quando cerca de 200 manifestantes derrubaram as vedações de um empreendimento em construção na aldeia de Rrjoll, uma zona costeira conhecida pelas praias arenosas e florestas de pinheiros.
Empunhando bandeiras nacionais albanesas e gritando palavras de ordem como "Revolução", os manifestantes removeram as cercas que delimitavam a área do projeto. Durante a ação registaram-se alguns confrontos com as forças de segurança, embora a polícia não tenha impedido a remoção das vedações.
Os moradores alegam que o empreendimento está a ser construído em terrenos que lhes pertenciam e exigem compensações pelas propriedades que consideram ter sido confiscadas.
"Os protestos não vão parar enquanto os residentes da aldeia de Rrjoll não forem indemnizados. Somos 200 famílias cujas terras foram confiscadas", afirmou Zeke Nikolle Shullani, de 56 anos, um dos proprietários envolvidos nos protestos que decorrem há vários meses.
O projeto está a ser desenvolvido por uma empresa albanesa e recebeu do governo o estatuto de "investidor estratégico", uma classificação que visa facilitar grandes investimentos considerados importantes para o desenvolvimento económico do país.
Outro proprietário local, Nikolin Markpalaj, de 60 anos, criticou duramente a forma como o projeto tem sido conduzido. "O que está a acontecer neste país é uma loucura", afirmou, acusando os investidores de ignorarem as preocupações da população local. "Pedimos aos investidores que viessem falar com as pessoas, mas recusaram. Pensam que podem ficar com toda esta riqueza sem consequências", acrescentou.
Os protestos surgem numa altura em que cresce a contestação pública contra empreendimentos turísticos na costa albanesa. Nas últimas semanas, têm sido organizadas manifestações contra um resort de luxo previsto para a região de Vlora, no sul do país, apoiado por uma empresa ligada a Jared Kushner.
Os opositores destes projetos alertam para os impactos ambientais da construção em áreas costeiras protegidas, incluindo habitats de flamingos e locais de nidificação de tartarugas marinhas, e acusam o governo de privilegiar interesses económicos em detrimento da proteção do património natural e dos direitos das comunidades locais.
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