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A vítima é Omar Al-Hayali, de 27 anos, estudante de Psicologia no ISCTE e refugiado que vive em Portugal desde 2019 através de um programa de reinstalação da ONU. Segundo o seu testemunho, tudo aconteceu quando regressava a casa de bicicleta depois de ter estado no Largo do Carmo a comemorar o 25 de Abril. Na zona da Avenida Almirante Reis/Alameda, terá cruzado-se com um grupo numeroso de jovens, entre cerca de 10 a 30 pessoas, que começou a insultá-lo sem qualquer provocação aparente.
Omar relata ao Observador que inicialmente ignorou os insultos e tentou afastar-se, mas acabou por parar alguns metros à frente para perceber o que se passava. Nesse momento, ao olhar para trás, o grupo ter-se-á aproximado e cercado-o. Quando perguntou o motivo da agressividade, a situação escalou rapidamente para violência física. Segundo o seu relato, foi agredido com murros, pedras e uma garrafa de vidro, tendo ainda sofrido cortes e ferimentos na cabeça e no rosto. O ataque só terá terminado quando começou a sangrar de forma intensa.
As agressões foram parcialmente captadas em vídeo por uma testemunha que estava do outro lado da rua, e o próprio estudante também conseguiu filmar alguns momentos após o ataque, incluindo a fuga dos agressores. Essas imagens terão sido fundamentais para a identificação de parte dos suspeitos pela PSP.
Omar sofreu ferimentos significativos, incluindo um corte profundo na testa que exigiu cerca de 15 pontos de sutura, outro ferimento na cabeça com quatro pontos e um corte adicional na face com mais três pontos. Foi assistido no Hospital de São José. Durante o incidente, refere ainda ter sido roubada a sua bicicleta.
A PSP confirmou a constituição de três arguidos por ofensas à integridade física e a identificação de outros oito a nove suspeitos adicionais. Todos os envolvidos seriam alunos do Colégio Moderno, segundo as autoridades.
O caso foi denunciado no dia 27 de abril, na esquadra da Rua da Palma. A investigação continua em curso.
O ISCTE, onde Omar estuda, emitiu um comunicado a manifestar solidariedade com o estudante, condenando veementemente qualquer forma de violência e comportamentos xenófobos. A instituição afirmou estar disponível para lhe prestar apoio psicológico e académico, sublinhando que repudia qualquer agressão a estrangeiros, incluindo refugiados.
Por sua vez, a direção do Colégio Moderno reagiu ao caso com preocupação. A diretora, Isabel Soares, afirmou ao Publico que a instituição “é contra todas as agressões” e “contra toda a espécie de violência”, sublinhando que o colégio está “preocupado” com a situação. Acrescentou ainda que a escola vai agora avaliar que medidas tomar, referindo que “não é nada que nos diga respeito, foram situações da noite, mas faremos alguma coisa”.
Para a identificação dos jovens foi essencial a divulgação de imagens nas redes sociais e o próprio testemunho da vítima, que decidiu partilhar o sucedido online para ajudar na identificação dos suspeitos. Omar afirmou ter reconhecido alguns dos jovens através das redes sociais e colaborado com a polícia nesse processo.
Apesar de ter vivido já outras situações de discriminação, o estudante afirma na entrevista ao Observador que este episódio o deixou mais inseguro, embora reforce a sua intenção de continuar a viver em Portugal. Omar faz referência a uma publicação de André Ventura (líder do Chega) no Instagram e diz sentir-se preocupado com o impacto.
“Se o iraquiano for o autor do crime, ocultam a nacionalidade para evitar racismos e xenofobias. Se for a vítima (e os autores forem portugueses) pode-se dizer a nacionalidade à vontade. Que raio de país que estamos a construir, sinceramente”, escreveu Ventura.
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