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Carlo Soracchi, polícia disfarçado, é acusado de ter usado dinheiro de contribuintes para financiar uma escapadela romântica a Veneza com uma mulher a quem mentiu sobre a sua identidade e envolvimento profissional, escreve o The Guardian. Soracchi terá mantido esta mulher, conhecida apenas como Lindsey, num relacionamento íntimo de longa duração enquanto se fazia passar por ativista político.
Entre 2000 e 2006, Soracchi infiltrou-se em grupos socialistas e antifascistas, alegando agir por motivos profissionais. Documentos internos revelam que a Polícia Metropolitana financiou voos e alojamento com a justificação oficial de que ele viajava com um grupo de ativistas do Reino Unido para “consolidar e expandir” relações com socialistas italianos. No entanto, Lindsey afirmou perante a investigação que a viagem foi, na realidade, “uma clássica escapadela romântica numa cidade associada ao romance”.
A viagem durou três dias e, segundo o depoimento de Lindsey, estiveram apenas os dois juntos, separando-se durante apenas vinte minutos. Durante este período, visitaram os principais pontos turísticos, apreciaram a arquitetura da cidade e jantaram em restaurantes locais, descrevendo a experiência como pessoal e afetuosa, sem qualquer atividade política.
Lindsey foi uma das três mulheres com quem Soracchi manteve relações íntimas enquanto estava encoberto. Outro caso envolveu Donna McLean, com quem teve um relacionamento de dois anos, durante o qual, segundo a investigação, terá pedido a mulher em casamento — um episódio que Soracchi nega. Ambas testemunharam que Soracchi mentiu repetidamente sobre a natureza das suas relações.
A investigação pública, liderada pelo antigo juiz John Mitting, tem vindo a analisar como a polícia enviou oficiais encobertos para infiltrar-se em grupos políticos de esquerda entre 1968 e, pelo menos, 2010. Muitos destes agentes mantiveram relações com mulheres sem revelar que eram polícias a vigiar organizações políticas, levantando questões éticas e legais sobre a sua conduta.
Soracchi afirmou, em declaração escrita, que a viagem tinha sido autorizada e financiada pela Special Demonstration Squad, a unidade policial secreta para a qual trabalhava. Alegou que o objetivo era permitir que activistas socialistas britânicos dialogassem com homólogos italianos, embora o custo da viagem não tenha sido divulgado.
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