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A presença de piolhos continua a gerar dúvidas e mitos, sobretudo entre pais de crianças em idade escolar. Um dos mais frequentes é saber se estes parasitas conseguem sobreviver fora da cabeça humana.

Segundo Patrícia Engenheiro, responsável da Clínica Doutora Piolhos Cascais, os piolhos da pediculose vivem exclusivamente no couro cabeludo humano. “O piolho da pediculose é específico do couro cabeludo. Não passa para animais nem para outras partes do corpo”, explica ao 24notícias.

Apesar disso, conseguem sobreviver durante algum tempo fora do hospedeiro. “Os piolhos podem viver até 48 horas sem se alimentarem. Depois desse período acabam por morrer”, afirma a especialista.

A pediculose é o nome dado à infestação de piolhos na cabeça humana. Existem outros tipos de piolhos, mas pertencem a categorias diferentes. “Nos animais também há piolhos, como nas aves, mas não têm nada a ver com o piolho humano. Também existe o chamado piolho "intímo", conhecido como ‘chato’, mas é diferente do da pediculose”, esclarece.

Outro elemento frequentemente confundido são as lêndias, os ovos dos piolhos. De acordo com Patrícia Engenheiro, estes ovos podem sobreviver até sete dias. “A lêndia é um ovo colocado pelo piolho. Ao fim de cerca de sete dias, com o calor da cabeça, eclode e nasce um piolho bebé”, explica.

Se não tiverem as condições adequadas, nomeadamente a temperatura do couro cabeludo humano, acabam por não se desenvolver. “Se a lêndia não tiver a temperatura necessária para eclodir, acaba por morrer”, acrescenta.

Contrariamente ao que muitos pensam, os piolhos não saltam nem voam. “A transmissão acontece através do contacto direto entre cabelos”, explica a especialista. Ainda assim, podem existir outras situações de contágio indireto quando o parasita sobrevive fora da cabeça durante algum tempo.

É o caso de objetos ou superfícies que estiveram em contacto com alguém infestado. “Podem ficar em chapéus, escovas de cabelo, elásticos ou em tecidos, como bancos almofadados”, refere.

A especialista alerta também para locais como piscinas ou jacuzzis. “Os piolhos podem ficar a boiar na água durante algum tempo e, se encontrarem uma nova cabeça, voltam a fixar-se”, diz.

A pediculose está frequentemente associada à infância, sobretudo devido ao contacto próximo durante brincadeiras. No entanto, não é um problema exclusivo das crianças.

“Há mais casos entre crianças porque convivem muito de perto, mas os adultos também podem apanhar piolhos”, explica Patrícia Engenheiro. Entre os casos que chegam à clínica estão mães, professoras ou auxiliares de educação que acabam por ser infestadas no contacto com crianças.

Segundo a responsável da Clínica Doutora Piolhos, a infestação acaba também por afetar mais o sexo feminino. “A partir dos 14 ou 15 anos praticamente deixam de aparecer rapazes para tratamento”, explica. Em três anos de atividade da clínica, os números refletem essa diferença: “Tratámos cerca de 20 pais, enquanto mães já foram milhares”, afirma.

Existem ainda várias ideias erradas sobre formas de eliminar os piolhos. Segundo a especialista, o calor de secadores ou pranchas não resolve o problema. “O piolho e a lêndia só morrem a temperaturas acima de 60 graus, algo que o couro cabeludo humano não suporta”, alerta.

Outros métodos populares também não funcionam. “Pintar o cabelo não mata piolhos e usar vinagre também não”, explica. O vinagre pode apenas ajudar a soltar as lêndias do cabelo, mas não elimina o parasita.

Para prevenir novas infestações, Patrícia Engenheiro recomenda cuidados regulares com o cabelo e objetos pessoais.

Entre as medidas está o uso de repelentes específicos, a verificação frequente do couro cabeludo e a utilização de um pente metálico para detetar ou remover piolhos.

Também é importante lavar roupas e objetos que estiveram em contacto com a cabeça a temperaturas superiores a 60 graus. No caso de peças que não suportam esse calor, a especialista aconselha guardá-las num saco fechado durante três dias antes da lavagem.

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