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O governo liderado pelo primeiro-ministro Ilie Bolojan perdeu o apoio do Partido Social Democrata (PSD), que abandonou o executivo devido ao descontentamento com as políticas de austeridade, incluindo aumentos de impostos, congelamento de salários no setor público e cortes orçamentais. Estas medidas foram implementadas para reduzir o elevado défice do país, mas tornaram-se profundamente impopulares.
O PSD juntou-se ao partido de extrema-direita AUR, liderado por George Simion, para apoiar uma moção de censura que poderá derrubar o governo. Embora esta cooperação seja sobretudo tática e não represente uma coligação formal, ela tem sido vista como um fator de risco, podendo legitimar ainda mais a extrema-direita no sistema político romeno. Simion, que já foi candidato presidencial e tem vindo a subir nas sondagens, está a capitalizar o descontentamento com os partidos tradicionais e com as políticas de austeridade.
Se a moção de censura for aprovada, o primeiro-ministro será afastado e o presidente centrista Nicușor Dan terá de conduzir negociações para formar um novo governo. Entre os cenários possíveis está a manutenção de uma coligação entre social-democratas e liberais, mas com um primeiro-ministro tecnocrata independente, ou uma rutura mais profunda que leve o PSD para a oposição ao lado da AUR. Caso o governo sobreviva, poderá continuar em funções, mas como um executivo minoritário instável.
A Roménia é um país-chave na União Europeia e na NATO, com cerca de 19 milhões de habitantes, fazendo fronteira com a Ucrânia e desempenhando um papel crucial no apoio logístico ao país em guerra. Além disso, acolhe infraestruturas militares estratégicas da NATO e dos Estados Unidos no Mar Negro. Um eventual reforço da extrema-direita levanta preocupações em Bruxelas, dado o seu discurso eurocético e a oposição ao apoio militar à Ucrânia.
Do ponto de vista económico, o país enfrenta uma situação delicada, com um défice elevado, necessidade de cumprir reformas até agosto para desbloquear fundos europeus significativos e risco de descida do rating de crédito. Os mercados exigem estabilidade e disciplina orçamental, mas estas medidas estão a alimentar o descontentamento político e social.
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