Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
Entre estudos técnicos, avaliações ambientais, decisões políticas e grandes investimentos previstos, este é o ponto de situação do projeto que promete transformar a mobilidade e o desenvolvimento económico da Área Metropolitana de Lisboa.
Onde vai ficar o novo aeroporto?
O futuro Aeroporto Luís de Camões vai nascer no Campo de Tiro de Alcochete, na margem sul do Tejo, numa zona atualmente pertencente à Força Aérea Portuguesa. A decisão foi tomada pelo Governo em maio de 2024, seguindo a recomendação da Comissão Técnica Independente criada para estudar as alternativas de expansão aeroportuária da região de Lisboa.
A escolha de Alcochete encerrou uma longa discussão sobre a localização do novo aeroporto, que durante décadas passou por várias hipóteses, incluindo a Ota e o Montijo.
A nova infraestrutura terá oficialmente o nome de Aeroporto Luís de Camões e está prevista para substituir progressivamente o Aeroporto Humberto Delgado, na Portela.
Até que o novo aeroporto esteja operacional, a Portela continuará em funcionamento. O modelo definido pelo Governo prevê uma fase de transição, durante a qual o atual aeroporto será reforçado para responder ao aumento da procura. Quando Alcochete estiver plenamente desenvolvido, a intenção é concentrar aí a principal operação aeroportuária da região de Lisboa.
Porque foi escolhido Alcochete?
A escolha do Campo de Tiro de Alcochete teve por base vários argumentos apresentados pelo Governo.
Um dos principais fatores é o espaço disponível. A localização permite construir um aeroporto de grande escala sem as limitações físicas existentes na Portela.
Outro argumento prende-se com a necessidade reduzida de expropriações. Como grande parte da área pertence ao Estado, através da Força Aérea, diminui a necessidade de grandes processos de aquisição de terrenos privados.
A integração ferroviária foi também apontada como uma vantagem. O projeto está associado aos planos de expansão da rede ferroviária, incluindo a alta velocidade e novas ligações na Área Metropolitana de Lisboa.
Além disso, o Governo considera que o aeroporto poderá funcionar como um motor de desenvolvimento económico da margem sul do Tejo, criando novas centralidades fora do centro tradicional de Lisboa.
Qual é o calendário previsto?
O processo de construção do Aeroporto Luís de Camões será desenvolvido por várias etapas, com diferentes fases técnicas, ambientais e financeiras.
A 14 de maio de 2024, o Governo anunciou a escolha de Alcochete como localização do novo aeroporto. Cerca de um mês depois, a 17 de junho, foi feita a notificação à ANA – Aeroportos de Portugal, concessionária responsável pela gestão dos aeroportos nacionais, para iniciar os trabalhos preparatórios.
A 17 de dezembro de 2024, a ANA entregou o relatório inicial do projeto, seguindo-se, a 16 de julho de 2025, a entrega do relatório relativo às consultas realizadas junto dos vários intervenientes.
Em janeiro de 2026 estava prevista a entrega do relatório ambiental e da localização selecionada, enquanto julho de 2026 corresponde à fase prevista para apresentação do relatório técnico. Para janeiro de 2027 está previsto o relatório financeiro.
O calendário aponta para janeiro de 2028 como a data para entrega da candidatura completa do projeto, seguindo-se uma decisão final do Governo até abril desse ano.
A entrada em funcionamento do aeroporto está apontada para a segunda metade da década de 2030, com referências a 2036 ou 2037 como cenário possível para a abertura.
Quanto vai custar?
A construção do Aeroporto Luís de Camões representa um dos maiores investimentos de infraestrutura previstos para Portugal nas próximas décadas. A estimativa mais divulgada aponta para um custo na ordem dos 9 mil milhões de euros.
A ANA – Aeroportos de Portugal, concessionária dos aeroportos portugueses e empresa controlada pelo grupo francês Vinci Airports, apresentou um projeto que deverá ser financiado dentro do modelo da concessão aeroportuária, sem uma participação direta prevista do Orçamento do Estado.
Apesar disso, o Governo tem levantado dúvidas sobre alguns pressupostos económicos apresentados pela ANA, nomeadamente sobre as projeções de crescimento do tráfego aéreo. O Executivo considera que algumas previsões poderão ser demasiado conservadoras e que isso poderá influenciar a dimensão final da infraestrutura.
Como será o Aeroporto Luís de Camões?
O conceito previsto para o novo aeroporto assenta num modelo modular e expansível, pensado para acompanhar o crescimento da procura ao longo das próximas décadas.
A primeira fase prevê a construção de duas pistas, existindo a possibilidade de expansão futura até quatro pistas. O objetivo é criar uma infraestrutura com capacidade para responder ao aumento do número de passageiros até 2050 e para além desse horizonte.
Esta capacidade de crescimento foi um dos fatores decisivos na escolha de Alcochete. Ao contrário da Portela, limitada pela sua localização urbana e pela falta de espaço para expansão, o Campo de Tiro permite desenvolver uma infraestrutura aeroportuária de grande dimensão.
O que acontece ao Aeroporto Humberto Delgado?
A Portela continuará ativa durante o período de transição até à entrada em funcionamento do Aeroporto Luís de Camões.
O Governo prevê reforçar a capacidade do atual aeroporto enquanto o novo equipamento não estiver concluído, evitando uma quebra na resposta ao crescimento do número de passageiros.
A intenção final é abandonar o modelo de dois aeroportos permanentes e concentrar a operação num único grande aeroporto em Alcochete.
O que falta resolver?
Apesar dos avanços, ainda existem vários desafios antes da construção poder avançar. Um dos principais é o impacto ambiental. A localização em Alcochete exige uma avaliação ambiental aprofundada, incluindo um Estudo de Impacte Ambiental que deverá integrar os estudos já realizados e articular-se com os municípios envolvidos.
Entre as preocupações levantadas estão a vulnerabilidade da zona a cheias, o impacto sobre os ecossistemas existentes e as alterações necessárias no território envolvente.
Outro desafio passa pelas acessibilidades. O sucesso do aeroporto dependerá da criação de ligações rápidas e eficientes, nomeadamente através de novas infraestruturas ferroviárias, da ligação à alta velocidade Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid e de uma eventual nova travessia do Tejo.
Existe ainda a questão da desmilitarização do Campo de Tiro de Alcochete. Como os terrenos pertencem à Força Aérea Portuguesa, é necessário preparar a transferência, limpeza e adaptação da área. O Governo aprovou uma despesa até 4,5 milhões de euros para os trabalhos necessários à preparação do terreno.
Quais são as principais polémicas?
O projeto tem sido acompanhado por várias críticas e dúvidas. Uma das principais questões prende-se com os custos e o modelo de financiamento. O aumento das estimativas de investimento gerou críticas políticas e levantou dúvidas sobre a sustentabilidade financeira da obra em o apoio governamental.
Também o calendário tem sido alvo de contestação. A previsão de abertura apenas na década de 2030 é considerada demasiado longa por alguns críticos, sobretudo tendo em conta a crescente pressão sobre a capacidade da Portela.
Outro ponto de debate são as projeções de tráfego. O Governo pediu à ANA uma revisão das previsões de passageiros para garantir que o aeroporto não fica subdimensionado, não conseguindo responder à procura futura, nem sobredimensionado, criando uma infraestrutura excessiva face às necessidades.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários