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A iniciativa, anunciada durante a última visita de Estado do Presidente francês, Emmanuel Macron, ao Reino Unido, prevê que algumas pessoas que cruzem o Canal da Mancha sejam devolvidas a território francês. Em contrapartida, França autorizará a entrada no Reino Unido de requerentes de asilo com ligações familiares ao país.
A ministra britânica do Interior, Yvette Cooper, disse à Sky News que este acordo vai ser aplicado apenas a novas entradas, com os migrantes a serem detidos imediatamente após a chegada.
Yvette Cooper não revelou o número de pessoas abrangidas, alegando que tal informação poderia beneficiar redes de tráfico humano. No entanto, tem sido noticiado que o número inicial poderá rondar as 50 pessoas por semana, com a responsável a admitir que os valores “começarão mais baixos e depois aumentarão”.
De acordo com a ministra, o objetivo é desencorajar as travessias irregulares.
“Se chega aqui num pequeno barco, depois de pagar milhares de libras a um traficante, deve ser devolvido. O dinheiro é perdido, e devemos aceitar quem se inscreve legalmente e passa pelas verificações de segurança", disse.
2025 pode vir a tornar-se um ano recorde de travessias pelo Canal da Mancha. Já terão feito a viagem cerca de 25 436 pessoas — um aumento de 49% face ao mesmo período de 2024, segundo dados analisados pela agência PA com base em números do Ministério do Interior britânico.
O correspondente político da Sky News, Rob Powell, sublinhou que o impacto prático desta medida pode ser limitado se o número de migrantes retornados não for superior aos 50 semanais, uma vez que a média de travessias ronda atualmente as 800 por semana.
O acordo, elogiado como um “bom entendimento” por Keir Starmer e Emmanuel Macron, é criticado pelos conservadores britânicos, que o descrevem como uma “rendição” e defendem que não terá impacto significativo.
O projeto-piloto vai ser prolongado até junho de 2026, mas está pendente um eventual acordo de longo prazo. Segundo os termos, os adultos que cheguem em pequenos barcos e cujos pedidos de asilo sejam considerados inadmissíveis poderão ser devolvidos a França.
Em troca, será permitida a entrada de um número equivalente de requerentes de asilo por uma nova via legal, desde que não tenham tentado cruzar o canal anteriormente e cumpram requisitos rigorosos de documentação e segurança.
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