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A Comissão Europeia instou a Hungria a "explicar-se com urgência" após a divulgação de chamadas entre o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó e o seu homólogo russo, Sergei Lavrov. Bruxelas considera que o conteúdo das escutas levanta a "possibilidade alarmante" de coordenação com a Rússia em detrimento dos interesses da União Europeia.

As suspeitas surgem num contexto mais amplo de crescente aproximação entre Budapeste e Moscovo. Novas informações indicam que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, tem procurado reforçar ligações económicas e políticas com a Rússia, numa estratégia de "viragem para o leste" que está a marcar a campanha legislativa de domingo.

Documentos preparados pelo governo russo e obtidos pelo jornal Politico revelam que a Hungria assinou um acordo para aprofundar a cooperação bilateral em áreas como energia, comércio, indústria, saúde, educação e cultura. O plano, composto por 12 pontos, foi acordado numa reunião em Moscovo, em dezembro de 2025, entre Peter Szijjártó e o ministro da Saúde russo, Mikhail Murashko.

O acordo, que até agora não era público, prevê uma maior colaboração em projetos energéticos — incluindo petróleo, gás, hidrogénio e combustível nuclear — bem como iniciativas conjuntas na educação com o reforço do ensino da língua russa na Hungria e programas de intercâmbio académico. Também estão contempladas parcerias culturais e desportivas, incluindo um plano de ação conjunto 2026-2027.

Os documentos sublinham ainda a intenção de "inverter a queda do comércio bilateral" provocada pelas sanções da UE à Rússia, impostas após a invasão da Ucrânia em 2022. Apesar disso, é referido também que este aprofundamento de relações não deverá ser "incompatível com as obrigações da Hungria decorrentes da sua adesão à União Europeia".

A proximidade com Moscovo tornou-se um tema central da campanha legislativa que terminará no domingo. O principal adversário de Orbán, Péter Magyar, tem acusado o governo de "traição direta" devido às ligações ao Kremlin, afirmando que esta posição fragiliza a posição internacional do país.

Paralelamente, a divulgação das escutas entre Péter Szijjártó e Sergei Lavrov intensificou a pressão europeia. Segundo um porta-voz da Comissão Europeia no jornal britânico "The Guardian", a gravação — revelada por um consórcio de órgãos de comunicação social da Europa central — sugere que um Estado-membro pode estar a atuar contra a segurança coletiva europeia.

Questionada pelo caso, a porta-voz da Comissão, Paula Pinho, afirmou que as alegadas revelações destacam "a possibilidade alarmante de um governo de um Estado-Membro estar a coordenar-se com a Rússia, atuando assim ativamente contra a segurança e os interesses da UE e de todos os seus cidadãos".

Perante este caso, Bruxelas classificou a situação como "extremamente preocupante" e afirmou que cabe ao governo húngaro esclarecer o sucedido. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, deve também levar este tema a discussão juntamente com os líderes europeus.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, diz que o caso é "uma traição à solidariedade exigida entre os países da União Europeia" em declarações à rádio francesa Inter. "Se queremos ser fortes num mundo em que surgem novos impérios, temos de estar unidos e mostrar solidariedade", acrescentou.

Também na polónia, o primeiro-ministro Donald Tusk criticou a Hungria afirmando que a gravação era “verdadeiramente chocante”.

Viktor Orbán rejeitou as proximidades com a Rússia afirmando que "não foram os russos, mas sim o vice-presidente dos EUA que visitou a Hungria" para demonstrar o seu apoio nestas eleições.

Num vídeo publicado num comício, Orbán insistiu que a Hungria continua a fazer parte do Ocidente, mas que "está magoado pelo que vê acontecer à Europa Ocidental".

"Dói-nos que os democratas-cristãos alemães, a CSU, se tenham tornado um partido de esquerda a tal ponto que se tornou impossível cooperar com eles. Hoje, a nossa âncora mais forte no mundo ocidental não são os nossos partidos irmãos na Alemanha, mas sim os republicanos nos EUA, com quem estamos a cooperar», argumentou.

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