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O Paquistão declarou “guerra aberta” contra o governo talibã no Afeganistão, numa escalada significativa das tensões entre os dois países vizinhos, escreve o The Guardian. A decisão foi anunciada pelo ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Mohammad Asif, que afirmou que “a nossa paciência esgotou-se” e que agora a confrontação é direta.
Os ataques paquistaneses, designados Operação Ghazab lil-Haq (“Fúria Justa”), foram lançados na noite anterior sobre cidades afegãs importantes, incluindo a capital Cabul, bem como as províncias de Kandahar e Paktia, próximas da fronteira. Islamabad justificou a ofensiva como resposta a disparos “não provocados” provenientes do território afegão, enquanto o governo do Afeganistão alegou ter atacado tropas paquistanesas na fronteira em retaliação a ataques anteriores de Cabul.
Ambos os lados afirmam ter infligido pesadas baixas, mas os números reais permanecem incertos. As autoridades afegãs declararam ter capturado vários soldados paquistaneses, informação negada por Islamabad. Relatórios locais indicam que os combates continuaram na manhã desta sexta-feira na região fronteiriça de Torkham, na província de Nangarhar.
A situação representa uma escalada grave desde o cessar-fogo mediado pelo Qatar e pela Turquia em outubro do ano passado, que havia interrompido confrontos mortais. Negociações subsequentes não conseguiram produzir um acordo duradouro. Desde a retomada do poder pelos talibãs no Afeganistão, em 2021, as relações com o Paquistão – que partilha a longa e disputada Linha Durand, com 2.575 quilómetros – oscilaram entre a diplomacia cautelosa e a hostilidade aberta.
O Paquistão acusa o Afeganistão de albergar militantes do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), também conhecido como Talibã do Paquistão, responsáveis por ataques transfronteiriços. O TTP, distinto mas aliado dos talibãs afegãos, pretende derrubar o governo do Paquistão e estabelecer um regime islâmico no país. Analistas sublinham que, desta vez, os ataques paquistaneses atingiram directamente locais do governo talibã e não apenas posições do TTP, marcando uma mudança na abordagem de Islamabad.
O Afeganistão também alegou ter utilizado drones para atingir alvos militares no Paquistão. Segundo um porta-voz talibã, os ataques aéreos com drones foram “bem-sucedidos”. O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, respondeu que militantes do TTP tentaram utilizar drones, mas foram derrubados por sistemas anti-drones, sem causar vítimas. Estas alegações não foram verificadas de forma independente.
As estimativas de baixas divergem: o Afeganistão afirma que 55 soldados paquistaneses foram mortos e vários capturados, enquanto oito combatentes afegãos terão morrido. O Paquistão reportou 133 mortos afegãos e dois próprios, negando capturas.
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