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Nuno Loureiro, físico português de 47 anos, professor no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e diretor do Plasma Science and Fusion Center — um dos principais centros de investigação em física de plasmas e fusão nuclear no mundo — foi mortalmente baleado no seu apartamento em Brookline, perto de Boston.

Inicialmente, a polícia estava a investigar o homicídio sem suspeitos públicos, mas rapidamente ligou o caso a outros episódios violentos, nomeadamente o tiroteio fatal na Universidade de Brown, em Providence (Rhode Island), que deixou dois estudantes mortos e vários feridos.

No dia de hoje, soube-se que os investigadores americanos concluíram que os dois episódios estão ligados e foram alegadamente cometidos pela mesma pessoa: Cláudio Valente, um cidadão português de 48 anos, com residência permanente nos Estados Unidos.

Valente e Loureiro foram colegas de estudo em Portugal na década de 1990, tendo frequentado o mesmo programa académico no Instituto Superior Técnico. Sabe-se também que Cláudio Valente estudou física como estudante de doutoramento na Universidade de Brown no início dos anos 2000, mas não concluiu o programa.

O suspeito foi encontrado morto num armazém em Salem, New Hampshire — aparentemente por suicídio — alguns dias depois dos crimes. A polícia acredita que atacou a Brown, matou os dois estudantes e depois viajou até à área de Boston para atacar Loureiro. Até agora, o motivo exato permanece desconhecido.

As acusações contra Cláudio Valente

documento, apresentado em tribunal para fundamentar mandados de detenção e de busca, descreve Cláudio Valente como responsável pelo tiroteio ocorrido na Universidade Brown.

De acordo com a acusação, o suspeito enfrentava duas acusações de homicídio, bem como múltiplas acusações de agressão agravada com arma de fogo, correspondentes às vítimas que sobreviveram ao ataque.

Além dos crimes de violência direta, o texto judicial enumera infrações graves relacionadas com armas de fogo, incluindo o uso e posse ilegal de armas em contexto criminal. As autoridades sustentam que Cláudio Valente terá transportado armas e munições entre diferentes estados dos Estados Unidos com intenção criminosa, o que deu origem também a uma acusação de natureza federal por transporte interestadual de arma de fogo com fins ilícitos.

O documento estabelece ainda uma ligação entre o suspeito e o homicídio de um professor universitário, Nuno Loureiro, ocorrido dois dias depois, em Brookline, no estado de Massachusetts. Embora esse crime surja no documento como elemento probatório relevante, o foco principal da declaração é a fundamentação legal que permitiu às autoridades emitir os mandados relacionados com o tiroteio em Providence.

Colaboração da PJ

A Polícia Judiciária (PJ) esclareceu esta sexta-feira que foi contactada pelas autoridades norte-americanas e que se encontra a prestar colaboração e apoio desde o momento inicial em que um cidadão português se tornou alvo de interesse das investigações conduzidas nos Estados Unidos.

Segundo a mesma nota, a cooperação entre as autoridades portuguesas e norte-americanas está a decorrer desde essa fase inicial, no quadro dos mecanismos de cooperação internacional em matéria criminal.

“A Polícia Judiciária permanece em contacto e a prestar todo o suporte necessário às investigações em curso”, refere o comunicado enviado às redações, sem adiantar mais pormenores sobre o suspeito ou sobre o desenvolvimento do processo.

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