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A crescente presença da Inteligência Artificial (IA) no quotidiano e na medicina esteve em destaque no mais recente episódio do podcast Top of Mind, onde Alexandre Castro Caldas defendeu uma utilização equilibrada da tecnologia.
Ao abordar o conceito de inteligência, o neurologista começou por desmontar a ideia de que esta é uma característica exclusivamente humana. “A inteligência não é exclusivamente humana, é da vida”.
Para o especialista, é importante distinguir inteligência de mera esperteza. “A inteligência é o conceito de usarmos o que recolhemos do mundo para nos adaptarmos a esse mundo”, explicou.
Sobre as diferenças entre a inteligência humana e a artificial, Alexandre Castro Caldas sublinhou que ambas assentam em princípios radicalmente distintos. “A nossa inteligência é feita por um organismo biológico e a IA é feita por algoritmos construídos que resultam da evolução de uma metodologia de crescimento científico que não tem nada a ver com o cérebro”, referiu. Apontando algo extremamente importante no uso desta ferramenta: “Uma coisa que a biologia tem é o sentido do limite, e não há limite na IA.”
Durante a conversa, os riscos associados ao uso excessivo da tecnologia também foram debatidos. O neurologista alertou para o perigo de uma dependência excessiva das respostas fornecidas pelos sistemas de IA, recordando que estes podem gerar erros ou informações incorretas. “As alucinações na IA podem ser dramáticas”, afirmou.
Questionado sobre o impacto da IA na aprendizagem, Alexandre Castro Caldas citou estudos que mostram diferenças na retenção de conhecimento. “Três meses depois, os que escrevem pela sua cabeça lembram-se, os outros não”, disse, referindo-se a experiências que compararam alunos que realizaram redações por conta própria com outros que recorreram à inteligência artificial.
Apesar das vantagens em termos de produtividade, o neurologista rejeitou a ideia de que o conhecimento possa ser dispensável. “O conhecimento ocupa lugar” , afirmou, contrariando a perceção de que o "cérebro é um computador" e de que a tecnologia pode substituir a necessidade de aprender e memorizar.
Na área da saúde, questionado pela médica, reconheceu o potencial da IA como ferramenta de apoio à investigação e à prática clínica. “É muito útil ter um computador à mão”, referiu, destacando a capacidade de acesso rápido à literatura científica. Ainda assim, alertou para a importância de os profissionais manterem uma análise crítica da informação disponibilizada. “A forma como a IA interpreta os artigos pode ter uma leitura diferente. É importante que seja a sua leitura.”
O especialista destacou ainda que a relação humana continua a ser insubstituível na medicina. “Aquilo que cada um de nós faz, olhar para alguém e ver se está triste ou feliz, percebemos numa velocidade enorme”, afirmou, defendendo que a empatia e a capacidade de interpretar emoções continuam fora do alcance dos algoritmos. "A inteligência artificial não tem personalidade, não tem identidade”, remata.
Sobre o futuro, Alexandre Castro Caldas considera que a sociedade terá inevitavelmente de conviver com esta tecnologia. “À IA não podemos fugir dela, já cá está”, afirmou. Ainda assim, defendeu a necessidade de educar as pessoas para uma utilização consciente e responsável. “Acho que tem de haver pedagogia para usar como deve ser”, concluiu.
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