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A associação Vizinhos em Lisboa alertou para o avançado estado de degradação da Fonte Luminosa, no Areeiro, considerando que a ausência de uma intervenção poderá provocar danos irreversíveis num dos monumentos mais emblemáticos de Lisboa. Em entrevista ao 24notícias, o presidente da associação, Rui Martins, afirma que o problema não é recente e defende um restauro profundo que devolva ao conjunto a sua integridade e as cores originais.

Segundo o responsável, os sinais de degradação são conhecidos há vários anos, embora os moradores tenham a perceção de que a situação se agravou recentemente. "A degradação não é recente. Terá provavelmente mais de dez anos. É apenas uma opinião dos moradores da zona, porque não temos provas fotográficas, mas temos a perceção de que se agravou recentemente, provavelmente devido aos níveis de poluição na avenida e ao aumento da pluviosidade", diz.

O dirigente explica que o painel central do lado direito é atualmente o mais afetado, apresentando uma perda quase total da cor original, mas alerta que os problemas vão além da componente estética. "O painel superior esquerdo já apresenta sinais de vegetação. Isso significa que a integridade pode estar a ficar comprometida pela infiltração das raízes. Parece ser também um efeito das chuvas mais recentes", afirma Rui Martins

A associação já comunicou formalmente a situação à autarquia, entidade responsável pela gestão do monumento, mas continua a aguardar uma resposta. "A competência é da Câmara Municipal de Lisboa. Enviámos o nosso alerta, como fazemos habitualmente, e ainda não obtivemos resposta, embora o prazo ainda seja razoável", diz, salientando que a autarquia conhece bem o estado da Fonte Luminosa.

"A Câmara tem pessoal que acede frequentemente à instalação por causa do sistema de água da fonte, pelo que deve ter um conhecimento ainda mais próximo do que nós e os moradores", revela.

Fonte Luminosa
Fonte Luminosa créditos: Vizinhos em Lisboa

A recente candidatura da Fonte Luminosa às 7 Maravilhas da Cultura Popular trouxe uma nova atenção ao monumento, mas a associação sublinha que acompanha este problema há vários anos.

"A candidatura chamou a atenção para o caso, mas nós seguimos esta degradação desde, pelo menos, 2020. Os moradores dizem que se lembram do painel central degradado desde os anos 2000 e ninguém se recorda de ver os painéis com as cores originais", diz, referindo depois que a recuperação do conjunto monumental exigirá uma intervenção muito mais abrangente do que uma simples limpeza.

"Dado o nível de degradação, não parece que uma limpeza da vegetação seja suficiente. Alguns painéis terão mesmo de ser substituídos para garantir a integridade do conjunto e só depois será possível avançar para a reposição das cores", salienta.

Rui Martins explica ainda que a poluição automóvel tem desempenhado um papel determinante na degradação dos painéis: "O dióxido de enxofre e os óxidos de azoto da poluição automóvel reagem com a humidade do ar e da própria fonte. Isso gera uma acidez que ataca quimicamente os pigmentos expostos e resulta na perda total da cor original.".

Para travar a deterioração, a associação defende que a Câmara promova um plano de restauro especializado, que inclua a remoção dos depósitos de poluição, a consolidação dos materiais, o estudo dos pigmentos originais utilizados por Jorge Barradas e a aplicação de produtos de proteção contra a humidade, os raios ultravioleta e a poluição.

"Será necessário recorrer a especialistas em restauro para identificar os pigmentos originais e utilizar técnicas reversíveis. Depois disso, faz sentido aplicar uma proteção que aumente a durabilidade das cores e programar limpezas periódicas para evitar que os poluentes voltem a atacar os painéis", afirma.

O presidente da Vizinhos em Lisboa deixa ainda um aviso sobre o futuro do monumento caso não sejam tomadas medidas a curto prazo. "O painel da direita continuará a degradar-se até ficar totalmente irreconhecível. É muito provável que o painel da esquerda venha a sofrer exatamente o mesmo processo, porque foi construído com o mesmo material e está sujeito às mesmas condições de humidade e poluição", refere.

Para a associação, preservar a Fonte Luminosa é preservar uma parte importante da memória da cidade. "Estamos a falar de um dos maiores símbolos do Areeiro e de Lisboa. Quanto mais tempo passar sem intervenção, maior será a perda deste património", conclui.

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