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Nessa publicação, o também fundador do Twitter anuncia que a sua nova empresa, a tecnológica Block, vai reduzir quase para metade a sua força de trabalho, passando de mais de 10 mil colaboradores para menos de 6 mil. Todos os colaboradores foram notificados no próprio dia.

“Vamos tornar a empresa mais pequena”

Dorsey começa por afastar um cenário de crise. “Não estamos a tomar esta decisão porque estejamos em dificuldades. O nosso negócio é sólido.” Segundo o próprio, o lucro bruto continua a crescer, a base de clientes está a aumentar e a rentabilidade está a melhorar.

O que mudou, argumenta, foi o impacto das ferramentas de inteligência desenvolvidas e utilizadas internamente. Com equipas mais pequenas e estruturas mais horizontais, essas ferramentas estariam a permitir “uma nova forma de trabalhar”, alterando de forma estrutural o que significa construir e gerir uma empresa.

Perante este cenário, Dorsey diz ter ponderado duas opções: reduzir gradualmente ao longo de meses ou anos, acompanhando a transformação, ou assumir de imediato uma nova dimensão organizacional. Optou pela segunda.

“Rondas sucessivas de cortes destroem a moral, a concentração e a confiança”, escreveu.

Para os trabalhadores que permanecem, garante que a Block quer reconstruir-se como uma empresa mais pequenamais ágil e com a inteligência (automação e IA) no centro do seu modelo operacional.

A ambição passa por permitir que os clientes criem funcionalidades próprias a partir das capacidades da plataforma, reduzindo dependências internas e acelerando ciclos de desenvolvimento. A decisão, admite Dorsey, envolve risco, mas ficar parado também.

De fundador do Twitter à liderança da Block

Jack Dorsey é conhecido sobretudo por ter sido cofundador e primeiro CEO do Twitter (hoje X), a rede social que ajudou a moldar o debate público digital à escala global. Criada em 2006, a plataforma tornou-se um dos principais canais de comunicação política, mediática e empresarial do mundo.

Paralelamente, Dorsey fundou, em 2009, a Square, empresa de pagamentos digitais que começou por desenvolver pequenos terminais para comerciantes aceitarem cartões através de smartphones. A Square viria a expandir-se para serviços financeiros, crédito, transferências e soluções empresariais, mudando de nome para c., em 2021, num reposicionamento estratégico que refletia a ambição de ir além dos pagamentos.

Conhecido pelo seu perfil discreto, pela defesa do software open source e, mais recentemente, pela aposta em bitcoin e tecnologias descentralizadas, Dorsey tem defendido estruturas empresariais mais enxutas e altamente tecnológicas. A decisão agora anunciada parece alinhar-se com essa visão.

Para quem recebeu a má notícia

Numa tentativa de evitar uma saída abrupta, os canais internos de comunicação vão ficar ativos até ao fim da próxima semana, para permitir despedidas formais. Está também prevista uma videoconferência com o CEO.

“Prefiro que seja estranho e humano do que eficiente e frio”, escreveu.

A empresa detalhou também os termos oferecidos aos trabalhadores afetados: 20 semanas de salário, acrescidas de uma semana por cada ano de antiguidade; ações adquiridas até ao final de maio; seis meses de seguro de saúde; manutenção dos dispositivos da empresa; e um apoio adicional de 5 mil dólares para facilitar a transição (com variações fora dos EUA, de acordo com a legislação local).

Num setor tecnológico onde várias empresas têm ajustado equipas após anos de crescimento acelerado, o movimento da Block distingue-se por não ser apresentado como resposta a dificuldades financeiras, mas como uma antecipação estratégica da transformação tecnológica em curso.

Resta saber se esta reconfiguração será vista como um passo visionário, ou como mais um sinal da reestruturação profunda que a inteligência artificial está a impor às grandes tecnológicas.

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