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O tempo continua a ser um dos principais obstáculos à recuperação eficaz de dívidas por parte das empresas portuguesas. De acordo com o Estudo de Gestão de Risco de Crédito em Portugal, promovido pela Crédito y Caución e pela Iberinform, apenas 35% das empresas iniciam ações de cobrança logo após o vencimento de uma fatura.

O estudo indica que duas em cada três empresas optam por adiar o início das ações de cobrança perante dificuldades de liquidez dos seus clientes, procurando evitar um eventual desgaste das relações comerciais. No entanto, este adiamento acaba por reduzir a eficácia dos processos de recuperação.

A investigação revela ainda uma elevada flexibilidade nos prazos de cobrança. Cerca de 33% das empresas permitem atrasos de pagamento superiores a 60 dias antes de considerarem que existe uma situação de incumprimento.

Mesmo quando avançam com ações de cobrança, a maioria das empresas abdica da aplicação de juros de mora. Segundo os dados apurados, 72% das empresas nunca recorrem a este mecanismo, enquanto apenas 2% o aplicam de forma sistemática.

O estudo recorda que o endurecimento da política monetária do Banco Central Europeu levou os juros de mora a atingirem um máximo de 12,5% em 2024. Atualmente, a taxa está fixada em 8,87%. Apesar disso, a utilização deste instrumento continua a ser residual. Entre as empresas que aplicam juros de mora, 98% reclamam valores inferiores aos que seriam legalmente devidos.

A análise aborda igualmente as metodologias de gestão de cobranças adotadas pelas empresas. Entre as soluções de recuperação de créditos B2B externalizadas, os escritórios de advocacia concentram a maior utilização, sendo escolhidos por 25% das empresas. Já o recurso a mecanismos de arbitragem representa 7,4%, enquanto as empresas especializadas em cobranças são utilizadas por apenas 2,5% das organizações.

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