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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, recebeu o homólogo português, Luís Montenegro, por volta das 11h45 locais (10h45 em Lisboa) na esplanada do IV Centenário, junto ao Mosteiro de Santa Maria de La Rábida e à Universidade Internacional da Andaluzia. Seguiu-se um minuto de silêncio "em sinal de respeito, memória e solidariedade" com as vítimas e familiares das pessoas recentemente falecidas em Portugal e Espanha.

As tempestades registadas desde o início do ano provocaram a morte de 18 pessoas em Portugal e pelo menos duas em Espanha, além de desalojarem centenas de cidadãos em território português e milhares em solo espanhol. Quanto ao acidente ferroviário de Adamuz, ocorrido a 18 de janeiro, resultou na morte de 46 pessoas, a maioria residentes em Huelva.

Após o minuto de silêncio, realizaram-se honras militares em homenagem ao primeiro-ministro português, seguidas das apresentações e saudações das duas delegações, compostas por sete ministros do lado português e 11 do lado espanhol, culminando na fotografia oficial da cimeira.

O tema central deste encontro é a segurança climática, com Portugal e Espanha a procurarem reforçar a cooperação na adaptação às alterações climáticas e na competitividade das duas economias. Está prevista a assinatura de cerca de uma dezena de instrumentos bilaterais em áreas como ambiente, proteção civil, saúde, cibersegurança, inclusão social e proteção dos consumidores. Em particular, o memorando de entendimento em proteção civil visa desenvolver mecanismos de cooperação na avaliação de riscos transfronteiriços e planeamento de emergência, bem como a articulação entre plataformas nacionais para a redução do risco de catástrofes.

Além da habitual declaração final conjunta dos dois Governos, haverá este ano uma declaração específica dos ministérios do ambiente dedicada à "luta contra as alterações climáticas", considerada pelas autoridades espanholas como o "elemento estrela" da cimeira. Este encontro acontece depois de meses marcados por grandes incêndios e tempestades na Península Ibérica.

Apesar do foco em alterações climáticas, a situação geopolítica internacional, marcada pela nova guerra no Médio Oriente, também terá impacto no diálogo bilateral. Sánchez condenou os ataques dos EUA e de Israel ao Irão por considerá-los uma violação do direito internacional, rejeitando o uso de bases militares espanholas para tais operações. Em resposta, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Espanha com possíveis represálias.

Portugal concedeu uma "autorização condicionada" ao uso da Base das Lajes, nos Açores, após o início do ataque, e Luís Montenegro afirmou que o país "não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar", mas sublinhou que Portugal se mantém mais próximo do aliado norte-americano do que do Irão. Questionado sobre a solidariedade com a posição de Espanha face às ameaças norte-americanas, Montenegro optou por não comentar diretamente, lembrando que Portugal é um país fundador da NATO, ao contrário de Espanha, que aderiu em 1982.

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