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Quem abre as hostes é Filipe Sousa, deputado do JPP, que afirma que "Abril não foi apenas uma mudança de regime, foi uma mudança de atitude" acrescentando que foi também "uma afirmação de valores que hoje, mais do que nunca, precisamos de resgatar com clareza: o humanismo, a solidariedade, a justiça social e o sentido profundo de comunidade".
Declarando também que não se pode permitir que o "medo volta a ocupar o espaço da esperança, nem a indiferença substitua a participação". Referindo-se ao Presidente, diz que "celebrar Abril, 50 anos depois, é mais do que lembrar é escolher", "escolher se queremos unidade na diferença, reerguendo um Portugal moderno, da Madeira aos Açores, do Minho ao algarve, não apenas o Portugal das grandes cidades".
De seguida, Inês Sousa-Real, do PAN, cita Natália Correia, “O alvoroço redobra-me a ansiedade. A iminência de ver florir por fora a Primavera que sempre trouxe dentro do meu amor à liberdade morderem coração como uma alegria insuportável.”
Fala sobre a violência de género, o "fim de um país onde as mulheres eram consideradas seres menores". "É por isso que celebrar Abril não pode ser apenas recordar o passado, temos de questionar todos os anos se estamos a cumprir essa promessa", diz.
A deputada prossegue dizendo que "temos de ter a coragem de dizer que não, ainda não estamos". "Não estamos quando falta uma casa para viver, quando o salário não chega ao fim do mês, quando se desiste do sonho de estudar, quando não se consegue constituir família, quando se trabalha cada vez mais para viver cada vez menos e mais só, quando o tempo é consumido pela precariedade, ansiedade e sobrevivência", declara.
"Não estamos a cumprir Abril, quando deixamos para trás quem cuida e quem precisa de proteção", remata.
O deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, abriu a sua intervenção sublinhando que a democracia implica “tolerância na diferença”, mas recusou qualquer tentativa de branqueamento do Estado Novo.
Sem referir diretamente André Ventura, o bloquista fez uma defesa dos últimos 50 anos de regime democrático, em contraste com discursos que desvalorizam as conquistas alcançadas após o 25 de Abril.
“Este meio século de liberdade foi o melhor período da História de Portugal. O nosso país tem muitos problemas. Mas nenhum desses problemas é a liberdade. O que está a falhar não é a democracia. Nunca é a democracia”, afirmou.
A concluir, deixou um apelo à defesa dos valores democráticos: “Cabe-nos hoje defender a liberdade de quem a quer sequestrar. Em cada rosto, liberdade. Viva o 25 de Abril.”
Da parte do CDS-PP, fala João Almeida, que diz que "o 25 de Abril fez-se para que não houvesse donos do regime", falando da "tentativa de imposição de uma cartilha oficial". "Desde a primeira hora a facção que dominava o MFA e o PCP tentaram condicionar o sentido de revolução e o horizonte de liberdade", "até a Constituição de 1976 veio a consagrar no seu preâmbulo a abertura do caminho para uma sociedade socialista".
“O 25 de Abril não tem donos. Não há deputados mais representativos do que outros ou maiorias mais aceitáveis do que outras”.
Depois, diz que em 20 anos Portugal passou a ser menos produtivo e a ganhar pior, facto que justifica por em 80% desse tempo o país ter sido governado pela esquerda. “Não podemos ficar amarrados, precisamos de abrir as portas à liberdade. Precisamos de reformas. Já experimentámos o caminho do preâmbulo e não resultou”.
O deputado do Partido Comunista Português, Alfredo Maia, iniciou a sua intervenção com críticas a quem “não se conforma com a revolução” e “insiste num ajuste de contas com o 25 de Abril e com as suas conquistas”, acusando esses setores de procurarem “impor uma narrativa revanchista”.
O comunista rejeitou leituras que desvalorizem o processo revolucionário, afirmando que “não há mistificações, saudosismos ou falsificações que apaguem os momentos exaltantes da Revolução”, que, sublinhou, “viraram a página” da história e consagraram conquistas “políticas, económicas, sociais, culturais e civilizacionais” das quais o povo português mantém “um orgulho imenso e irrenunciável”.
Na reta final do discurso, Alfredo Maia defendeu a necessidade de “retomar esse rumo”, apontando como prioridades a rejeição do chamado pacote laboral, o combate à desigualdade na distribuição da riqueza e ao aumento do custo de vida, bem como a oposição ao que classificou como o “arrastamento do país para a loucura do militarismo e da guerra”.
O deputado do Livre, Rui Tavares, sublinhou o “peso que a ditadura exerceu sobre a memória”, apontando para uma tentativa de mitificação dos primeiros anos do regime e dos golpes de 28 de maio, que, afirmou, prometiam falsamente que o Parlamento não seria encerrado.
“A ditadura nasceu na corrupção e no clientelismo”, afirmou o deputado, acrescentando que “foi violenta, foi repressiva, foi censória: 17 mil dias de censura”.
Rui Tavares criticou ainda o Governo por ter adiado durante anos a criação do centro interpretativo do 25 de Abril e por ter decidido deslocá-lo para a Pontinha, defendendo que o espaço deveria ser instalado no “centro simbólico” da revolução, o Terreiro do Paço, e apelando à subscrição de uma petição nesse sentido.
Na parte final da intervenção, saudou “o povo que está com a democracia” contra aquilo a que chamou “cravos geneticamente modificados”, numa referência crítica aos cravos verdes exibidos na bancada do Chega.
A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, começou a sua intervenção na sessão solene do 25 de Abril a sublinhar a importância histórica da data, referindo ainda, de forma indireta, o 25 de Novembro de 1975 como momento de consolidação da democracia liberal.
“A partir de determinada altura estagnámos. Deixámos de ser um exemplo a seguir. Voltámos a ser um pântano lamacento de ressentimento, que apenas alimentou oportunistas, da esquerda à direita”, afirmou Mariana Leitão.
A dirigente liberal apontou ainda a emigração de portugueses, sobretudo jovens, como sinal de falta de oportunidades no país, defendendo a necessidade de coragem política por parte dos decisores.
“Abril não se fez para que nada mudasse. Fez-se para que tudo pudesse mudar, sem medo e sem donos. Honrar Abril e Novembro é ter coragem”, concluiu.
José Luís Carneiro, Secretário-geral do PS, cita Manuel Alegre "Foram dias, foram anos a esperar por um só dia". Continua dizendo que foi um “sobressalto moral que deu voz a todos” e fala da diáspora, “um dos ativos mais preciosos de Portugal, que exige outra prioridade política”.
Recorda-se a insistência da ditadura na condução de uma guerra colonial “perdida e sem sentido”, cuja resolução, sublinha, exigia uma solução política. “Para ser negociada devia ter sido negociada logo após a Segunda Guerra Mundial. A teimosia colonialista levou o país para 13 anos de guerra”, afirma, deixando uma palavra aos ex-combatentes e às suas famílias, “vítimas de um regime anacrónico e impiedoso”.
Segue-se a referência ao projeto europeu, apresentado como uma “opção consciente do líder visionário” Mário Soares. A diplomacia e a cooperação substituíram a política do “orgulhosamente sós”, alterando o estatuto de Portugal no mundo.
Discursa depois o líder do Chega, André Ventura, que começa por afirmar que a data não pertence apenas aos “capitães de Abril”. “É o dia de todas as Forças Armadas”, corrige, lamentando aqueles que usam a tribuna para “exaltar guerrilheiros” que mataram “militares portugueses”.
“Apunhalados pelas costas assim fomos”, prossegue Ventura, defendendo que celebrar o 25 de Abril implica “assumir toda a nossa história”. Explica depois a presença de cravos verdes nas bancadas do partido, que descreve como símbolo da “comunidade portuguesa pelo mundo inteiro”.
O líder do Chega aborda ainda temas como pensões, corrupção, SNS, salários baixos e antigos combatentes, a quem presta uma “homenagem sentida”. Segue-se um ataque político à esquerda: “Vocês serão vencidos nesta luta da democracia. Há uma direita grande que não vai desistir”, afirma.
Ventura defende uma reforma do Estado e do trabalho, demarcando-se das propostas do Governo, sublinhando a necessidade de crescimento económico sem pôr em causa direitos laborais. “Nós representamos os trabalhadores”, assegura.
Na parte final, dirige-se aos “silenciados e esquecidos de Abril”, prometendo continuar a sua luta política: “Continuaremos, ganharemos e não nos esqueceremos dos que nos apunhalaram pelas costas”. Alerta ainda para a importância do direito internacional e das Nações Unidas, advertindo contra a cumplicidade com a guerra.
Segue-se a intervenção do líder parlamentar do Partido Social Democrata, Hugo Soares, que destaca a estabilidade constitucional e aponta fragilidades no sistema judicial, defendendo o reforço da educação cívica e dos valores constitucionais.
O líder parlamentar do Partido Social Democrata, Hugo Soares, afirmou que “hoje, a coragem está em enfrentar os extremismos, a demagogia e os divisionismos”, alertando para um aumento da divisão política e para a crescente dificuldade no diálogo democrático.
Na sua intervenção na sessão solene do 25 de Abril, defendeu o combate “aos populismos de direita e de esquerda” e ao radicalismo “venha de onde vier”, bem como à pobreza, à desigualdade e ao “imobilismo”, sublinhando que “dizer não ao imobilismo é cumprir Abril”.
Hugo Soares apelou a políticas de redução de impostos, aumento de salários e pensões e reforço do Complemento Solidário para Idosos, defendendo também uma política de imigração “humanista e regulada”. “Sim ao diálogo”, afirmou, destacando os mais de 40 acordos com representantes dos trabalhadores da administração pública e o trabalho desenvolvido em concertação social e no Parlamento.
O dirigente social-democrata apresentou ainda a ideia de um “democrata pleno”, que “celebra o 25 de Abril e o 25 de Novembro”, reconhecendo tanto os capitães de Abril como figuras militares como Pires Veloso e Jaime Neves, defendendo um equilíbrio entre liberdade e ordem democrática.
“O democrata inteiro é o moderado, que não polariza, não divide; antes junta, soma, agrega”, afirmou, rejeitando o que considera ser a radicalização do debate político. Criticou ainda “uma esquerda cada vez mais preconceituosa” e “uma direita tão radicalizada”, defendendo que “o humanismo transformador está mesmo na moderação”.
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