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Duas semanas depois do início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, o conflito que a administração de Donald Trump esperava que fosse rápido e decisivo transformou-se numa guerra aberta, com fortes repercussões regionais e económicas e sem uma estratégia clara de saída.
A ofensiva começou a 28 de fevereiro com ataques coordenados dos EUA e de Israel contra vários alvos no Irão, numa tentativa de eliminar a liderança do regime e provocar um colapso político que abrisse caminho a dirigentes mais favoráveis ao Ocidente.
Os bombardeamentos conseguiram matar o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e vários responsáveis de topo. No entanto, o plano teve um efeito inesperado: muitos dos potenciais sucessores considerados aceitáveis por Washington também morreram nos ataques. Em vez de provocar o colapso do regime, a operação levou a uma rápida reorganização do poder, com a ascensão de uma nova liderança dura liderada por Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo.
Contrariando as expectativas de Washington, o Irão respondeu de forma agressiva, lançando ataques contra alvos em vários países do Médio Oriente e contra petroleiros na região. A medida mais impactante foi o bloqueio efetivo do Strait of Hormuz, uma passagem marítima estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial. A interrupção do tráfego no estreito desencadeou uma crise energética global, com o preço do petróleo a subir rapidamente e os combustíveis a tornarem-se mais caros em vários países, incluindo nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o conflito começou a alastrar pela região: o Hezbollah intensificou ataques contra Israel a partir do Líbano e o Irão lançou ataques contra países do Golfo que não tinham participado diretamente na ofensiva inicial.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o Irão tem “boa cooperação” com a Rússia e a China, incluindo militar, considerando-os parceiros estratégicos. Araghchi sublinhou que essa cooperação abrange os âmbitos político, económico e militar. O Irão tem fornecido drones Shahed à Rússia para a guerra na Ucrânia e, em 2021, assinou com a China um acordo de 25 anos centrado na venda de petróleo. Sobre o estreito de Ormuz, Araghchi afirmou que está fechado apenas a navios de “inimigos” do Irão, mas permanece aberto a outros países, enquanto o país lança mísseis contra nações do Golfo, elevando o preço global do petróleo.
Apesar de a Casa Branca insistir que a campanha militar poderá terminar em quatro a seis semanas, dentro da própria administração e no Congresso há crescente preocupação com a ausência de um plano claro para encerrar o conflito. Até agora morreram 13 militares norte-americanos e cerca de 140 ficaram feridos, enquanto sondagens indicam que a maioria dos americanos não apoia a guerra. Aliados europeus também demonstraram inquietação com a escalada e com a falta de uma estratégia definida para terminar as hostilidades. Alguns analistas consideram que, apesar da superioridade militar de EUA e Israel e da continuação dos bombardeamentos no território iraniano, Teerão conseguiu recuperar alguma iniciativa estratégica ao fechar o estreito de Ormuz e provocar um impacto económico global significativo.
Perante o agravamento da crise energética, Trump apelou a vários países, incluindo Reino Unido, Japão, França e Coreia do Sul, para enviarem navios de guerra e ajudarem a proteger os petroleiros que atravessam o estreito, mas a resposta internacional tem sido cautelosa e sem compromissos concretos. Ao mesmo tempo, o objetivo político inicial da guerra, enfraquecer ou derrubar o regime iraniano, parece cada vez mais distante. Questionado sobre quando terminará o conflito, Trump respondeu que a guerra acabará “quando eu sentir isso nos meus ossos”, uma declaração que reforçou a perceção de incerteza sobre o rumo e a duração da guerra.
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